As autoridades do Nepal intensificaram os trabalhos de salvamento nesta segunda-feira utilizando detonações controladas em encostas próximas à usina hidrelétrica de Trishuli-3A, localizada no distrito de Rasuwa. A medida emergencial busca abrir acesso para tentar localizar cerca de 933 pessoas que continuam presas em passagens subterrâneas desde que uma violenta torrente de água devastou a nação na semana passada.
Corrida contra o tempo e ameaça de novas chuvas
As equipes enfrentam uma diminuição drástica na janela de oportunidade para encontrar sobreviventes. Além da complexidade do cenário, a previsão de novas precipitações no Tibete eleva o alerta para o risco de um novo transbordamento dos rios locais. Até o momento, o balanço oficial da tragédia aponta 919 mortos apenas no território nepalês, acompanhado por um total alarmante de 4,79 mil desaparecidos.
Esforço internacional nos túneis afetados
Operações subterrâneas de resgate exigem alta precisão técnica e contam com o apoio fundamental de especialistas vindos da China, Coreia do Sul e Índia, que somam forças com policiais e militares locais. O gabinete do primeiro-ministro, Balendra Shah, confirmou que uma das entradas dos túneis da hidrelétrica foi alargada com sucesso, permitindo o início das buscas internas, embora os chamados feitos pelos socorristas ainda não tenham obtido resposta.
A agência nacional de gestão de desastres registrou a retirada de 191 sobreviventes dos túneis na última sexta-feira, além de outros 88 resgates no sábado. Dados da Associação de Produtores Independentes de Energia do Nepal indicam que 14 projetos hidrelétricos sofreram impactos diretos da enchente, enquanto levantamentos apontam que cerca de 897 indivíduos vinculados a essas obras seguem desaparecidos.
Relatos dramáticos de sobreviventes
Quem conseguiu escapar relata um cenário de devastação generalizada ao longo das margens do rio Trishuli, onde a força da água destruiu pontes, arrasou residências e soterrou estruturas sob toneladas de lama e escombros. Internado em um hospital na capital Katmandu, Shibu Giri, funcionário de 44 anos da usina Upper Trishuli, comparou o impacto a um maremoto, destacando o barulho ensurdecedor e a densa nuvem de poeira que tomou conta do local durante sua fuga para áreas mais altas.
Por Redação Acontece
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