A Justiça da Coreia do Sul condenou nesta sexta-feira Han Hak-ja, principal figura à frente da Igreja da Unificação, a uma pena de dois anos de reclusão. A decisão proferida em Seul decorre de acusações formais envolvendo o direcionamento de recursos financeiros ilegais para a esfera política e atos de corrupção.
Quem é Han Hak-ja
A religiosa de 83 anos comanda a instituição religiosa desde 2012, ano em que faleceu o seu cônjuge e criador do movimento, o reverendo Sun Myung Moon. No cotidiano da comunidade de fiéis, ela é reverenciada sob a alcunha de verdadeira mãe.
Custodiada preventivamente desde setembro de 2025, a ré teve sua permanência em cárcere mantida pelo entendimento judicial de que a liberdade poderia comprometer a integridade das investigações pela possível eliminação de vestígios probatórios.
Esquema de suborno e presentes de luxo
De acordo com o apurado pelas autoridades judiciais, o processo teve início a partir da detenção de Kim Keon Hee, ex-primeira-dama e esposa do ex-presidente deposto Yoon Suk Yeol, acusada de aceitar mimos dispendiosos. O epicentro da acusação recai sobre a entrega de duas bolsas da marca Chanel e um colar de alto valor em diamantes.
As apurações apontam que a dirigente religiosa teria apropriado-se indevidamente de verbas da organização — formalmente denominada Federação das Famílias para a Paz Mundial e Unificação — com o propósito de assegurar vantagens corporativas. Isso incluiu o repasse de 72 mil dólares à então esposa de Yoon antes do pleito presidencial de 2022.
Defesa e histórico do movimento espiritual
Durante todo o processo, a acusada refutou categoricamente os ilícitos imputados, questionando publicamente a motivação dos atos. A instituição religiosa corroborou a versão, classificando o montante transferido como uma mera lembrança festiva típica das comemorações de Ano Novo no país, negando qualquer articulação direta da líder com os escândalos envolvendo a ex-primeira-dama.
Fundada em solo sul-coreano em 1954, a congregação expandiu-se globalmente, administrando conglomerados empresariais e notabilizando-se por cerimônias matrimoniais coletivas em larga escala. Recentemente, a organização acumulou escândalos geopolíticos, destacando-se o fechamento de sua base no Japão na sequência do atentado fatal contra o ex-premiê Shinzo Abe, motivado por mágoas financeiras de um seguidor contra o grupo.
Por Redação Acontece
Jung Yeon-je / AFP
