Dados do CRAM, da Secretaria de Assistência Social, mostram números alarmantes e um aumento na gravidade e complexidade dos atendimentos

Os indicadores de violência contra a mulher em Foz do Iguaçu atingiram números preocupantes durante 2021. Foram mais de 1.600 atendimentos prestados, conforme mostra levantamento do Centro de Referência em Atendimento à Mulher Vítima de Violência (CRAM), da Secretaria de Assistência Social.

O Município possui uma forte rede de apoio para atendimento a esses casos – além do CRAM, que orienta, acompanha e dá suporte às vítimas, também existe a Patrulha Maria da Penha, da Guarda Municipal, para garantir o cumprimento de medidas protetivas. 

De acordo com a coordenadora do CRAM, Kiara Heck, um dado que se mostra alarmante são os registros de agressão pelos ex-companheiros – foram 561 no último ano. Mulheres agredidas pelo marido ou companheiro, foram 390. As agressões também foram registradas por vizinhos, colegas de trabalho ou parentes.

“Estamos em um contexto em que é preciso considerar a pandemia como um fator que fez aumentar não só o número de casos, mas também a complexidade, com atendimentos cada vez mais graves de mulheres agredidas e situações com difícil resolução”, detalhou Kiara.

As violências psicológicas e patrimoniais, quando a mulher é impedida de utilizar o próprio dinheiro ou sofre com a destruição e furtos de bens, também marcaram altos registros ao balanço anual – foram 660 relatos como esses.

“Mantemos o nosso trabalho de orientação, acompanhamento e proteção dessas mulheres, dando todo o suporte psicológico, social e jurídico, encaminhando-as à nossa rede de enfrentamento”, explicou a coordenadora.

Patrulha Maria da Penha

A Patrulha Maria da Penha, importante braço de apoio na Guarda Municipal, foi o grupamento mais atuante da GM em 2021, realizando quase 20% dos atendimentos do ano (1.674), sendo a maior parte para visitar as vítimas assistidas pelas equipes.

Os agentes realizaram aproximadamente 14 mil fiscalizações de medidas protetivas, como visitas para garantir a proteção das mulheres assistidas, emissão de certidões e intimações.

A subinspetora Iraci Pereira, coordenadora da Patrulha Maria da Penha, conta que o trabalho da corporação vem surtindo efeitos ao longo dos últimos anos. As visitas frequentes às mulheres com medidas preventivas coíbem o retorno dos agressores.

Em 2021 houve uma diminuição do número de prisões em flagrante pelo descumprimento da medida. Ao todo, foram registradas 30 autuações – em 2020 foram 46 e em 2019 foram 72.

“Hoje temos uma realidade diferente no que se refere a essa proteção. A medida protetiva não é apenas um papel, mas um trabalho integrado de proteção, visitas e acompanhamento. O patrulhamento ostensivo garante ainda mais segurança inibem os agressores”, conta a coordenadora.  

Em caso de descumprimento, seja por flagrante ou por apresentação de provas pela vítima, o Ministério Público entra com um pedido para que o agressor use tornozeleira eletrônica. Caso ele se aproxime da casa da vitima, um sinal é emitido e a patrulha se desloca até o local.  

 “Essa rede muito forte de apoio vem encorajando mulheres a denunciar. Elas precisam saber que não estão sozinhas e terão proteção diária. Temos três celulares para contato, que estão sempre monitorados para tirar dúvidas e atendê-las”, finaliza Iraci.

Denuncie

É cada vez mais importante ressaltar que todos podem ser aliados na luta pelo fim da violência contra a mulher. Os telefones da Patrulha Maria da Penha são (45) 98401-6287 / 99997-4994 e 98424-5847. O telefone 190 é a linha utilizada pra denúncias diretas à Polícia Militar. O Ligue 180 também presta apoio e escuta às mulheres em situação de violência.

Todos os meios funcionam 24h e devem ser acionado em todos os casos de violência, seja ela física, moral, psicológica ou patrimonial.