O litoral paranaense passou a contar com diretrizes atualizadas para a segurança sanitária. Entrou em vigor nesta terça-feira (03) o novo Plano de Contingência para Eventos de Saúde Pública (PCESP) da Portos do Paraná, apresentado recentemente à comunidade portuária e a agentes marítimos em um workshop realizado no Sest/Senat de Paranaguá, fruto de uma parceria entre a Autoridade Portuária e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Novas regras e descentralização
A elaboração do documento foi motivada por uma mudança nas normas da Anvisa. Com a publicação da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 932/2024, em 10 de outubro de 2024, a implementação e a manutenção de planos de contingência passaram a ser obrigatórias para as administrações de portos e aeroportos.
“Antes era uma atribuição que ficava unicamente a cargo da Anvisa. Agora é uma responsabilidade que foi repassada aos portos, mas que fica sob supervisão, colaboração e auxílio, e também cobrança e fiscalização por parte da Anvisa”, explica Roberto Busato Filho, chefe do Posto da Anvisa (PVPAF) em Paranaguá.
Revisão e foco em sintomas
Apesar de a empresa manter protocolos de emergência há mais de uma década, a diretriz resultou em uma reformulação completa dos fluxos de atendimento, visando maior agilidade e clareza para lidar com patógenos como ebola ou mpox.
“Mudamos todos os fluxos de atendimento, tornando-os mais simples de entender, mais lógicos, em um formato que todos entendam o que fazer em cada momento do atendimento. Revisamos as diretrizes e os métodos, para ter um plano novo, robusto e melhor aplicável à realidade que a gente vive”, detalha Felipe Zacharias, colaborador da Portos do Paraná e coordenador do Comitê de Contingência para Eventos de Saúde Pública (CCESP).
Outro destaque é a implementação da análise sindrômica, priorizando o quadro clínico inicial do paciente em vez do diagnóstico fechado.
“Caso o comandante notifique que algum tripulante tenha sintomas, já fazemos o enquadramento com base no nosso plano. Com a abordagem sindrômica, será feita a análise dos sintomas e então se estabelece uma metodologia de atendimento. A identificação do tipo da doença só ocorrerá quando o tripulante estiver no hospital”, explica Zacharias.
Próximos passos e simulações
Antes do lançamento oficial, órgãos municipais e estaduais — incluindo o Samu e o Hospital Regional de Paranaguá — participaram de reuniões técnicas. Representantes do setor privado também elogiaram a iniciativa de capacitação.
“O plano é essencial para a comunidade portuária, para o atendimento rápido em situações de emergências, principalmente no caso de epidemias. Agora vamos baixar o conteúdo, levar esse material para nossa enfermeira do trabalho e ser multiplicadores para todos os colaboradores da nossa empresa”, destaca Nelson Nunes da Conceição, técnico em segurança do trabalho pleno do Terminal ALTP (Amaggi & LDC Terminais Portuários de Paranaguá).
Para coroar a implantação, um exercício prático está programado para o mês de dezembro, garantindo a validação contínua exigida pelas autoridades sanitárias federais.
“Como a atividade portuária é dinâmica e as doenças são dinâmicas, a Anvisa determina que o plano precisará ser anualmente testado, para analisar se ele está sendo eficaz o suficiente para responder a evertuais crises sanitárias. Já está previsto o simulado, que vai testar a nossa capacidade de resposta a um caso fictício de emergência em saúde pública”, conclui Busato, chefe do Posto da Anvisa em Paranaguá.
Por Redação Acontece
Divulgação/Portos do Paraná
