A Secretaria da Segurança Pública do Paraná (SESP) promoveu reuniões estratégicas do projeto Cidade Segura nesta terça-feira (3), unindo comandos e chefias das cinco forças estaduais para otimizar o planejamento operacional em nove cidades da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O encontro estratégico integrou efetivos da Polícia Militar (PMPR), Polícia Civil (PCPR), Polícia Científica (PCIPR), Polícia Penal (PPPR) e Corpo de Bombeiros Militar (CBMPR).
Dinâmica operacional na Grande Curitiba
A programação ocorreu em dois turnos distintos na Região Metropolitana. Pela manhã, os debates foram sediados no 17° Batalhão de Polícia Militar, em São José dos Pinhais, direcionando o foco para o diagnóstico operacional dos municípios atendidos pelo 17° e pelo 29° BPM, abrangendo São José dos Pinhais, Piraquara, Pinhais, Campina Grande do Sul e Quatro Barras. À tarde, a coordenação da SESP reuniu as corporações em Colombo para examinar a área de cobertura do 22° e do 34° BPM, que inclui Colombo, Almirante Tamandaré, Itaperuçu e Rio Branco do Sul.
O secretário da Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira, destacou que a eficácia no combate aos crimes decorre da atuação integrada no terreno e da análise detalhada das dinâmicas locais. “A melhoria constante da segurança pública dá-se justamente por essa integração entre todas as forças, analisando município a município e crime a crime para identificar as motivações, o meio empregado e atuar de forma pontual em cada região. Cada localidade apresenta particularidades distintas, ligadas ao tráfico ou a conflitos interpessoais, e o trabalho articulado permite intervenções com muito mais precisão”.
Alinhamento tático e intercâmbio de dados
No planejamento operacional da corporação militar, o comandante do 6º Comando Regional da Polícia Militar (6º CRPM), coronel Alessandro Galeski, salientou o impacto direto das avaliações conjuntas nas rotinas de patrulhamento. “A grande força do Cidade Segura está em reunir todas as corporações para delinear ações cirúrgicas em cada comarca. A partir desse diagnóstico partilhado, ajustamos o policiamento ostensivo e o emprego do efetivo nas ruas, permitindo antecipar cenários e reforçar a segurança em grandes polos, como São José dos Pinhais, e em toda a Região Metropolitana”.
Pela Polícia Civil, a diretora adjunta da Divisão de Polícia Metropolitana (DPMetro), Emanuele Siqueira, ressaltou como o intercâmbio de dados agiliza as investigações criminais. “A integração possibilita que o fato criminoso seja investigado no seu contexto completo. A Polícia Civil e a Polícia Militar partilham informações complementares que, somadas à perícia técnica da Polícia Científica e à atuação dos municípios, garantem que os inquéritos avancem com solidez, levando à responsabilização penal dos autores perante a Justiça”, explicou.
A chefe da Unidade de Execução Técnico-Científica da PCIPR em São José dos Pinhais, Patrícia Doubas Cancelier, detalhou o ganho de agilidade na produção probatória com o direcionamento das equipes periciais. “A concentração de esforços proposta pelo Cidade Segura tornou o trabalho de todas as forças mais assertivo. Com escalas em extrajornada dedicadas à operação, aumentamos significativamente a taxa de resolução dos exames periciais que dão entrada na unidade, como as perícias químicas de drogas, fornecendo respostas técnicas rápidas para subsidiar os inquéritos”, pontuou.
Combate à violência doméstica e proteção à mulher
Durante a agenda, o enfrentamento da violência doméstica e a garantia dos direitos das mulheres integraram o topo das prioridades nos debates operacionais. Com orientações do Centro de Políticas de Proteção (CPP) da SESP, as instituições avaliaram o fluxo das Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) e a rotina de fiscalização preventiva realizada pela Patrulha Maria da Penha nas comarcas metropolitanas.
O secretário Hudson Leôncio Teixeira fez um apelo à corresponsabilidade de toda a comunidade na identificação dos casos de risco extremo. “Muitas vezes, a mulher que é vítima de violência, é ameaçada ou mantida em cárcere, não tem condições de pedir socorro ou acionar a polícia. É fundamental que as pessoas no entorno percebam estes sinais e tragam a denúncia às forças de segurança para que, em conjunto com a sociedade, consigamos intervir a tempo e evitar o feminicídio”.
Evolução do projeto Cidade Segura no Paraná
A metodologia aplicada nas reuniões decorre da evolução contínua da Operação Cidade Segura, inaugurada em agosto de 2023 por meio de ações-piloto em bairros da capital com suporte de análises técnicas especializadas. O modelo ganhou consolidação em 2024 mediante a estruturação do Plano Estratégico de Atuação Integrada V.I.D.A. e a instituição dos Protocolos de Ação Integrada (PAI).
A cobertura multidisciplinar conta ainda com a atuação da Polícia Penal do Paraná no monitoramento eletrônico de indivíduos com restrições e no controle da população prisional, enquanto o Corpo de Bombeiros Militar atua na prevenção contra incêndios, vistorias técnicas e prontidão operacional para suporte à proteção civil na malha metropolitana.
Por Redação Acontece
Foto: Divulgação/SESP
