Após ‘King Kong Fran’, Rafaela Azevedo critica cristianismo em nova peça: ‘não consigo mais ignorar isso’

A atriz e dramaturga Rafaela Azevedo estreia nesta quarta-feira (2), no Teatro Clara Nunes, no Rio de Janeiro, o seu novo espetáculo solo, intitulado A igreja da Fran. Depois de passar por São Paulo, a montagem chega aos palcos cariocas com a proposta de expandir as discussões sobre o machismo estrutural para o campo religioso, relacionando o patriarcado com o cristianismo.

A transição de King Kong Fran para o novo solo

Após três anos em cartaz com o sucesso King Kong Fran, espetáculo que atraiu mais de 150 mil pessoas e abordava a objetificação dos homens e a violência de gênero, a artista de 35 anos percebeu a necessidade de aprofundar os temas debatidos. O novo projeto integra uma trilogia estrelada pela mesma personagem e exigiu cerca de um ano de pesquisa sobre controvérsias das religiões cristãs, grupo que representa mais de 80% da população brasileira conforme o censo de 2022.

Resistência, cancelamentos e financiamento coletivo

A abordagem crítica gerou forte repercussão antes mesmo da estreia. A autora perdeu cerca de 20 mil seguidores ao divulgar o projeto e enfrentou dificuldades na captação de patrocínios com marcas, que temiam a repercussão negativa. Além disso, uma apresentação prevista em Curitiba foi cancelada pelo teatro Ópera de Arame após reações de grupos religiosos, episódios que também culminaram na derrubada temporária do perfil da personagem no Instagram.

Para viabilizar a produção sem concessões criativas, a equipe recorreu novamente ao financiamento coletivo. A campanha arrecadou R$ 100 mil com o apoio de 652 benfeitores, garantindo a autonomia artística necessária para levar o texto aos palcos.

Estética e encenação da peça

No palco, a direção aposta em um cenário minimalista com luz fria e fundo branco para remeter à simplicidade de templos neopentecostais. O espetáculo incorpora projeções de notícias sobre crimes cometidos por líderes religiosos e utiliza figurinos provocativos assinados por Bruno Pimentel, misturando túnicas papais e ternos com elementos de forte apelo visual para discutir a hipocrisia institucional.

Utilizando passagens bíblicas e figuras históricas como Maria, Jesus e Madalena, a artista emprega o humor não como piada depreciativa, mas como ferramenta da palhaçaria para quebrar tabus e estimular o pensamento crítico na plateia.

Com planos para um terceiro espetáculo voltado à união entre religião e política, Rafaela segue em temporada no Rio de Janeiro com A igreja da Fran, buscando fomentar o diálogo sobre temas estruturais da sociedade brasileira.

Por Redação Acontece

Celina Barbi / Divulgação

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