O Congresso Nacional do Paraguai aprovou, na noite desta sexta-feira (6), a destituição do presidente Santiago Peña. O placar da votação no Senado apontou 44 votos a favor e nenhum contra, com 44 dos 45 senadores presentes.
Crise no sistema financeiro e protestos
Do lado de fora do Congresso, no centro de Assunção, populares festejaram o desfecho da votação, enquanto portavam cartazes pedindo a prisão de Peña, filiado ao Partido Colorado (direita).
A crise política que resultou na cassação do mandato do presidente explodiu na última terça-feira (3). Na data em questão, o Banco Central do Paraguai (BCP) determinou o bloqueio de todo o dinheiro depositado no ueno bank, maior banco digital do país.
A medida afetou quase três milhões de correntistas, número significativo em um país com cerca de sete milhões de habitantes. Conforme o BCP, o ueno bank operava sem a líquidez mínima exigida por lei para o funcionamento de um banco no Paraguai.
Tentativa de renúncia e laços empresariais
A permanência de Peña na presidência ficou insustentável após a confirmação de que manteve, até março de 2025, laços empresariais com os controladores do ueno bank. No início da tarde de quinta-feira (5), o presidente apresentou carta de renúncia. Deputados e senadores, porém, ignoraram o pedido e decidiram pela continuidade do processo de impeachment.
Presenté mi renuncia para evitar más daño al país y contribuir a devolverle la tranquilidad al Paraguay. No quiero que mi presencia sea motivo de mayor división o inestabilidad. Mi responsabilidad es poner al país por encima de mi destino personal.Hoy nos toca unirnos como…— Santiago Peña (@SantiPenap) November 6, 2026
Novo comando no país vizinho
Ainda na noite desta sexta-feira, o Congresso Nacional convocará sessão extraordinária para empossar o vice Pedro Alliana no cargo de presidente do Paraguai. Ademais de Alliana, outro integrante do Partido Colorado (provavelmente o senador Antonio Barrios) deverá assumir o cargo de vice.
Empresário de 52 anos, Pedro Alliana completará o mandato com duração prevista até agosto de 2028. Ao assumir o poder agora, no entanto, não poderá concorrer ao cargo nas eleições de abril 2028, pois o Paraguai não permite a reeleição presidencial.
Até então, Alliana figurava como o virtual candidato do Partido Colorado para 2028. A mudança obrigará o partido a buscar alternativas internas para a sucessão.
Por Redação Acontece
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