Uma convocação de urgência no Congresso do Paraguai realizada nesta quinta-feira (05) foi encerrada sem quórum após uma série de impasses políticos envolvendo o governo e a oposição.
O plano do oficialismo e a reação contrária
Parlamentares da base governista do Partido Colorado, especificamente do grupo Honor Colorado, decidiram abandonar o plenário ao perceberem que não teriam os votos necessários para aprovar a saída do presidente Santiago Peña. A estratégia inicial do governo consistia em aceitar a renúncia do mandatário para empossar de forma imediata o vice-presidente Pedro Alliana, buscando assim encerrar o momento de instabilidade. Contudo, parlamentares opositores e dissidentes uniram forças para barrar a manobra e exigir a continuidade do processo de impeachment que teve início na Câmara dos Deputados.
O debate sobre a senadoria vitalícia
O grande centro da discussão no poder legislativo envolve o futuro jurídico do presidente após a saída do cargo. A Constituição do país estabelece que ex-mandatários ganham o status de senadores vitalícios, o que garante foro privilegiado e dificulta investigações criminais. Enquanto a oposição exige que o julgamento político por crime de responsabilidade vá até o fim para responsabilizar o chefe do Executivo pelo escândalo financeiro envolvendo o ueno bank, a base aliada argumenta que aceitar a renúncia seria uma forma ágil de conter a crise nas ruas, deixando discussões sobre privilégios para outro momento.
“Se aceitarmos esta renúncia, o que estamos fazendo é dar foro a Santiago Peña para que todo o dinheiro roubado fique impune, pois a Procuradoria não poderá imputá-lo”, alertou o senador liberal Líder Amarilla durante a sessão.
Debates acalorados no plenário
O encontro legislativo foi marcado por fortes discussões a respeito do prejuízo financeiro sofrido por milhares de correntistas da instituição bancária que atualmente passa por intervenção do Estado.
Yolanda Paredes (Cruzada Nacional): Criticou a tentativa de dar um cargo honorífico ao ex-mandatário: “Vão blindar um delinquente e carregar essa responsabilidade nas costas. Jamais aceitarei essa renúncia”.
Raúl Benítez (Encuentro Nacional): Afirmou que aprovar a renúncia passa um sinal de impunidade: “Dizem que estas ações são para evitar a violência, mas a violência veio das instituições que não cuidaram do dinheiro dos poupadores. O que corresponde é o impeachment”.
Roberto González (ANR Dissidente): Defendeu o prosseguimento do julgamento: “Peña não é merecedor do cargo honorífico de senador vitalício porque não ganhou o atributo da honorabilidade”.
Com o abandono do plenário pelos governistas, o presidente do Legislativo, Basilio “Bachi” Núñez, decretou o fim da reunião e convocou uma conversa com jornalistas. Desta forma, o pedido de renúncia permanece sem validade, enquanto o processo de impedimento aprovado pelos deputados continua paralisado até uma nova convocação oficial dos parlamentares.
Por Redação Acontece
Imagem: Divulgação / Congresso do Paraguai
