'Quando saímos, não existia mais aeroporto', diz paranaense que estava dentro de avião durante tornado em Chapecó

Uma moradora de Pato Branco, no sudoeste do Paraná, viveu momentos de tensão extrema ao ficar presa dentro de um avião durante a passagem de um tornado pelo Aeroporto de Chapecó, em Santa Catarina.

Viagem interrompida pelo temporal

Andrea Cristina Viganó viajava na companhia da mãe, Celis Mara Viganó, com o objetivo de embarcar rumo a Campinas para participar de um evento profissional. Antes do fenômeno climático, a equipe do terminal aeroportuário tentou agilizar os procedimentos de embarque devido aos alertas de tempestade, permitindo que a entrada na aeronave ocorresse normalmente.

O veículo aéreo iniciou a movimentação pela pista, mas precisou paralisar a atividade com o agravamento da chuva. “Foi uma coisa muito estranha, porque nós entramos no avião e saímos de um aeroporto perfeito. […] Dentro da tempestade, nós passamos uns dez minutos e, quando nós saímos disso, não existia mais aeroporto”, contou.

Ventos extremos e força do tornado

Registros meteorológicos apontaram rajadas que superaram os 120 km/h na região afetada. O comandante da aeronave comunicou aos passageiros que os ventos alcançavam 140 km/h e que o equipamento de 77 toneladas sofria deslocamentos forçados pela intensidade do temporal.

“E aí, naquele momento, a gente realmente ficou bem apreensivo, porque nós não sabíamos, não dava para ver muita coisa do avião. Era só realmente a chuva, e sentia todo esse balanço”, relatou.

Após a estabilização do tempo, o voo foi cancelado e o desembarque demorou mais de uma hora para acontecer. “Ele falou que não havia nenhuma escada mais disponível para a gente descer do avião, porque todas as escadas estavam embaixo dos escombros. […] E aí é que a gente começou a olhar para fora e realmente enxergar o que tinha acontecido, porque os barracões estavam no chão, o terminal de cargas não existia mais”, relatou.

Retorno ao estado paranaense

Com o cancelamento definitivo da viagem de negócios, a dupla enfrentou problemas estruturais, incluindo danos na cobertura do estacionamento e avarias no automóvel que utilizavam. Sem novas opções imediatas de voo, a alternativa foi buscar hospedagem na cidade catarinense.

A previsão de retorno ao município paranaense foi fixada para o dia seguinte, utilizando o próprio carro danificado. “Eu acredito que nós vamos conseguir voltar mesmo com o meu carro, amanhã, mesmo sem retrovisor, mas vamos devagarinho”, disse.

As operações do terminal administrado pela concessionária Voe Xap continuam interrompidas por tempo indeterminado, enquanto equipes técnicas avaliam os prejuízos e realizam vistorias na infraestrutura local.

Por Redação Acontece

Arquivo pessoal/Andrea Viganó

By