Saúde alerta para riscos do uso excessivo de telas na infância e orienta famílias sobre limites

A Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa) emitiu um alerta sobre os riscos do tempo excessivo de exposição de crianças e adolescentes a celulares, tablets e computadores. O órgão reforça que o uso desregulado pode comprometer o desenvolvimento infantil, substituindo interações essenciais como brincadeiras, atividades físicas e o convívio social.

Impactos físicos e cognitivos

O uso prolongado de dispositivos digitais, especialmente antes do repouso, prejudica a produção de melatonina, o que gera irritabilidade e falta de concentração. Além disso, a visão é severamente afetada pelo esforço constante, resultando em dores de cabeça, ressecamento ocular e um risco elevado para o desenvolvimento da miopia devido à falta de atividades ao ar livre.

“A saúde das nossas crianças e adolescentes exige atenção também ao ambiente digital. Nosso compromisso é orientar e conscientizar a população, reforçando que a prevenção começa desde cedo, com a participação ativa dos pais e responsáveis. O equilíbrio no uso das telas é fundamental para garantir um crescimento mais saudável”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.

Saúde mental e sinais de alerta

O uso problemático de tecnologia está diretamente ligado a quadros de ansiedade e depressão. Segundo Thiago Henrique Roza, médico do Hospital Adauto Botelho (HAB), em Pinhais, existe uma via de mão dupla entre o sofrimento emocional e o refúgio nos aparelhos eletrônicos.

“Crianças e adolescentes que enfrentam dificuldades emocionais podem recorrer às tecnologias como forma de lidar com esses sentimentos, enquanto o uso problemático dos dispositivos também pode contribuir para o agravamento dos sintomas”.

O especialista orienta que os responsáveis fiquem atentos a sinais de isolamento, sedentarismo e inversão do ciclo do sono. “A frequência de uso, os conteúdos acessados e os prejuízos provocados na vida cotidiana precisam ser observados pelas famílias. Outro aspecto é o uso de jogos eletrônicos e redes sociais, que pode estar associado a dificuldades de controle do comportamento e a outros problemas de saúde mental”, complementou o especialista.

Recomendações e limites por idade

A pediatra Thaisa Vieira Sonnberger, do Hospital Infantil Waldemar Monastier (HIWM), destaca que a fase inicial da vida é crucial para o desenvolvimento cerebral e a formação de vínculos. “Não existe um único limite diário que seja ideal para todas as idades e situações. O importante é diferenciar o uso recreativo do uso para estudar e manter contato com outras pessoas, além de observar o impacto na vida cotidiana”, explica.

Seguindo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria, a Sesa recomenda:

– Menores de 2 anos: Tempo de tela zero (exceto videochamadas supervisionadas). – De 2 a 5 anos: Máximo de 1 hora diária. – De 6 a 10 anos: Entre 1 e 2 horas por dia. – Adolescentes: Limite de 2 a 3 horas diárias, evitando o uso durante a madrugada.

Por Redação Acontece

Crédito da imagem: Divulgação/Sesa-PR

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