O setor financeiro paraguaio entrou em estado de alerta após a intervenção decretada pelo Banco Central do Paraguai (BCP) contra o ueno bank. A medida, anunciada na madrugada de terça-feira (3 de novembro de 2026), atingiu a instituição que era considerada o principal símbolo de modernização bancária e do modelo de neobanking no país vizinho, registrando uma queda abrupta em seu índice de solvência para menos de 50% do mínimo exigido por lei.
A estratégia de expansão acelerada do neobanco
Para compreender o processo de resolução enfrentado pela instituição, é fundamental analisar a trajetória de crescimento rápido adotada nos últimos anos. Baseando-se no modelo dos grandes ecossistemas digitais em âmbito global, o banco sustentou sua escalada em pilares vertiginosos que envolveram fusões corporativas, como a absorção do Visión Banco em 2024, que elevou a base para mais de 2 milhões de clientes.
Além disso, a estratégia incluiu investimentos massivos em marketing com contratos de naming rights, patrocínio à Associação Paraguaia de Futebol (APF) e parcerias com clubes expressivos, somados a uma captação internacional de recursos que incluiu bônus na Bolsa de Nova York liderados pelo J.P. Morgan e aportes do grupo europeu OTP Bank.
Paralelos com crises de alavancagem
A situação gerou debates nos bastidores analíticos sobre possíveis semelhanças com crises de alavancagem acelerada observadas em outros mercados da região. Nos últimos meses, o ueno bank passou a ser rigorosamente investigado devido à captação volumosa de recursos estatais, especialmente fundos de previdência oriundos do Instituto de Previsão Social (IPS). Auditorias acabaram revelando reajustes patrimoniais severos que resultaram no rombo da solvência e exigiram a ação enérgica do BCP para conter riscos sistêmicos.
Posicionamento oficial da instituição financeira
Em nota divulgada nas redes sociais antes do anúncio oficial do BCP, a instituição financeira negou ter recebido qualquer notificação formal sobre a aplicação do Fundo de Garantia de Depósitos, garantindo que mantinha suas operações e o atendimento aos clientes em plena normalidade. O banco também destacou informações da Presidência da República negando reuniões oficiais sobre o tema em Mburuvicha Róga, repudiando a disseminação de boatos.
Enquanto a Superintendência de Bancos do Paraguai conduz os próximos passos para definir a cobertura de ativos e passivos, os depositantes contam com a garantia legal estabelecida, enquanto o mercado aguarda os desdobramentos dessa crise econômica no país vizinho.
Por Redação Acontece
Foto: Divulgação/Ueno Bank
