VÍDEOS mostram passarela das Cataratas do Iguaçu antes e depois de ser tomada pela água; entenda como estrutura resiste à força da água

Imagens em vídeo captadas antes e durante o período de cheia no oeste do Paraná revelam a transformação na rota turística que conduz os visitantes até um dos principais mirantes das Cataratas do Iguaçu, situadas em Foz do Iguaçu. Nas filmagens, o trajeto usualmente destinado ao público fica completamente coberto pelas águas, que superaram o nível da construção devido ao volume elevado do Rio Iguaçu.

Impacto do volume d’água no principal cartão-postal paranaense

Na quarta-feira (14), o fluxo hídrico nas quedas atingiu a marca de 15,8 milhões de litros por segundo, superando em mais de dez vezes a média histórica de 1,5 milhão de litros por segundo. Em virtude da forte correnteza, a água encobriu o caminho, motivando a interrupção imediata da visitação pública. Já na sexta-feira (16), a vazão recuou para 10,6 milhões de litros por segundo, patamar que ainda permanece aproximadamente sete vezes acima do normal.

A engenharia por trás da resistência estrutural

Embora fique totalmente exposta à pressão do rio em períodos de cheia, a passarela se mantém firme graças a fundações profundamente ancoradas na rocha. A técnica empregada na edificação é denominada estaca-raiz. Em vez de se apoiar apenas no solo, o método consiste em perfurações na rocha onde são inseridos elementos de aço e injetada uma calda de cimento sob alta pressão.

Essa tecnologia fixa firmemente a passarela à base rochosa, permitindo que ela suporte o trânsito de turistas e o impacto da correnteza. Vinicius Lorenzi, diretor de engenharia da Fungeo, empresa responsável pela execução das fundações, explica que a fixação na rocha é um dos principais fatores que garantem a resistência da estrutura.

“A estaca-raiz é uma estaca que faz embutimento na rocha e isso faz com que ela absorva grandes esforços. É um tipo de fundação que nós utilizamos em várias outras obras em Foz do Iguaçu”, explicou Lorenzi.

O engenheiro aponta ainda que a força da água e os detritos carregados pelo rio, como troncos e galhos, são ponderados no projeto. Vale destacar que a construção já suportou volumes ainda maiores, como em junho de 2014, quando a vazão alcançou 46 milhões de litros por segundo.

Desvios do rio e o desafio da construção histórica

A atual passarela começou a ser erguida em 1992, após a estrutura anterior, datada de 1970, ser destruída por uma enchente na década de 1980. O projeto atual foi reinstalado em 1993. Márcio Marcon, engenheiro atuante na execução da obra, relata que foi preciso desviar temporariamente o curso do Rio Iguaçu para viabilizar as fundações.

Na primeira tentativa, próxima às quedas, a contenção não resistiu à cheia inicial e foi levada pela água junto com os equipamentos.

““Durante a obra, foram pelo menos duas enchentes similares a essa. Em uma delas, a gente perdeu equipamentos, obviamente nunca mais encontramos. Mas a parte de concreto ficou absolutamente intacta”, afirmou.

Posteriormente, o desvio foi realizado a quilômetros de distância, permitindo secar o trecho e perfurar a rocha com equipes de 20 a 30 trabalhadores.

Monitoramento contínuo e protocolos de segurança

A integridade do local passa por avaliações periódicas com instrumentos que detectam movimentações milimétricas. Conforme a Urbia+Cataratas, concessionária administradora do Parque Nacional do Iguaçu, nenhum deslocamento nos pilares foi registrado desde o início das medições.

André Franzini, gerente de sustentabilidade da concessionária, detalha que pequenos dispositivos chamados prismas auxiliam na leitura topográfica.

“Desde que a gente assumiu, que a gente começou a fazer este monitoramento, nunca teve nenhuma alteração, nem que seja milimetricamente”, afirmou.

A reabertura ao público ocorre apenas quando a vazão baixa de 8 milhões de litros por segundo, mediante laudo técnico de um engenheiro estrutural e a reposição gradual das grades de proteção metálicas, removidas preventivamente para facilitar o escoamento e evitar o acúmulo de detritos.

Por Redação Acontece

Foto: RPC/Divulgação

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