Por que a passarela das Cataratas do Iguaçu não é levada pela água? Construção foi feita para suportar vazão de milhões de litros por segundo

A passarela das Cataratas do Iguaçu, situada em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, conta com fundações que penetram diretamente na rocha para enfrentar a força da correnteza durante as cheias expressivas do Rio Iguaçu. Recentemente, a vazão atingiu 15,8 milhões de litros por segundo, superando a altura da estrutura e ultrapassando em dez vezes a média histórica do local.

A engenharia das estacas-raiz

O principal diferencial da obra está na técnica de fundação aplicada. Enquanto estruturas convencionais ficam apenas apoiadas na superfície, as estacas-raiz são instaladas em perfurações profundas na rocha, preenchidas com armaduras de aço e cimento injetado sob pressão. O diretor de engenharia da Fungeo, Vinicius Lorenzi, detalhou o funcionamento desse método.

“A estaca-raiz é uma estaca que faz embutimento na rocha e isso faz com que ela absorva grandes esforços. É um tipo de fundação que nós utilizamos em várias outras obras em Foz do Iguaçu”, explicou Lorenzi.

Além de suportar o peso da própria estrutura e dos visitantes, as colunas lidam com a pressão lateral da água, que se intensifica nos períodos de cheia.

Desafios e o desvio do Rio Iguaçu na construção

A passarela atual foi erguida em 1992, após uma enchente na década de 1980 destruir a versão anterior, inaugurada em 1970. O engenheiro Márcio Marcon participou da execução e relatou que foi necessário desviar temporariamente o leito do rio para permitir o trabalho nas fundações. Na primeira tentativa, a estrutura de contenção cedeu, arrastando equipamentos.

“Durante a execução da obra, foram pelo menos duas enchentes similares a essa. Em uma delas, a gente perdeu equipamentos, obviamente nunca mais encontramos. Mas a parte de concreto ficou absolutamente intacta”, afirmou.

Monitoramento e protocolos de segurança

A integridade da estrutura é avaliada constantemente pela concessionária Urbia+Cataratas por meio de prismas e medições topográficas. O gerente de sustentabilidade, André Franzini, apontou que o acompanhamento busca identificar qualquer alteração milimétrica.

“Desde que a gente assumiu, que a gente começou a fazer esse monitoramento, nunca teve nenhuma alteração, nem que seja milimetricamente”, afirmou Franzini.

Além disso, grades metálicas são removidas preventivamente durante cheias para diminuir a resistência da água e evitar o acúmulo de detritos. A reabertura para o público ocorre somente após laudos técnicos e quando a vazão cai para patamares seguros.

Por Redação Acontece

Reprodução / Arquivo Parque Nacional do Iguaçu

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