O município de Foz do Iguaçu registrou um crescimento expressivo de aproximadamente 32% nos casos de violência contra animais até agosto de 2025, na comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme levantamento oficial da Polícia Civil.
Cenário de violência e crueldade extrema
Enquanto os registros iniciais apontavam 41 ocorrências, o número saltou para 54 boletins de ocorrência. Embora cães e gatos sejam as principais vítimas, os ataques também atingem equinos, com episódios graves que incluem o envenenamento fatal de cinco cavalos, sendo duas éguas prenhas.
Casos extremos e abandono urbano
Voluntários de organizações de proteção relatam situações chocantes de crueldade nas ruas locais. Entre os crimes atendidos recentemente estão um cachorro localizado no bairro Porto Belo com as patas mutiladas — que exigiu amputação cirúrgica — e uma cachorra de médio porte encontrada enterrada viva na Vila C, que sobreviveu após passar por transfusão de sangue.
O abandono de animais doentes e a prática de mantê-los presos por correntes ou confinados em veículos antes do descarte nas vias públicas também integram a rotina de denúncias diárias no município.
Legislação e novas penalidades severas
A prática de abusos e crueldade contra bichos é tipificada como crime ambiental pela Lei Federal 9.605/98. Para cães e gatos, as penas podem alcançar de dois a cinco anos de reclusão, além de multas e proibição de guarda, com acréscimo de punição caso ocorra o óbito da vítima.
Em âmbito municipal, a Câmara de Foz do Iguaçu atualizou o Estatuto de Defesa, Controle e Proteção dos Animais para proibir métodos de contenção que mantenham pets presos por períodos prolongados. A legislação estabelece multas que variam de R$ 500 para infrações leves até R$ 3.665,40 no caso de uso de correntes pesadas que causem lesões.
Educação e assistência pública
Especialistas e protetores enfatizam que a conscientização nas escolas e comunidades é indispensável para combater a raiz do problema. Paralelamente, a administração municipal mantém programas de atendimento veterinário de urgência para famílias cadastradas no CadÚnico e já ultrapassou a marca de 5 mil castrações por meio de parcerias estratégicas.
“É uma sociedade completamente doente, e quem está levando a pior são os animais indefesos”, lamenta.
Por Redação Acontece
Foto: Stéfani Sabestzki
