Durante o período em que residiu na capital paranaense, entre 2003 e 2015, o renomado multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal transformou elementos cotidianos, paredes brancas e até xícaras em verdadeiras obras de arte sonora.
A chegada a Curitiba e a parceria com Aline Morena
A mudança definitiva para o Paraná aconteceu em 2003, facilitando a rotina de ensaios com sua então parceira, a artista gaúcha Aline Morena. O romance começou no ano anterior, durante uma oficina de música ministrada pelo artista em Londrina, onde Aline surpreendeu o maestro ao tocar um cano de PVC no palco.
Após engatarem um relacionamento de mais de uma década, o casal estabeleceu residência em Curitiba, mais especificamente no bairro Santa Felicidade. O clima ameno e os dias nublados da região favoreciam o artista, que lidava com o albinismo e aproveitava para transitar livremente por pontos centrais da cidade.
Música em paredes e guardanapos
Frequentar uma cafeteria no Shopping Itália rendeu amizades duradouras e momentos inusitados. Em um dos encontros do clube de vinho local, Hermeto usou a parede branca do estabelecimento para compor a partitura intitulada “Nós e nós pra toda a vida”, envolvendo todos os presentes no processo criativo.
A habilidade de enxergar sonoridade em ruídos, conversas de rua e na natureza consolidou o conceito de Música Universal. O legado do artista transcende barreiras estilísticas, misturando elementos de jazz, baião e experimentações acústicas sem rótulos definidos.
Amigos e parceiros musicais da capital paranaense lembram da convivência com profundo afeto. O percussionista Márcio Rosa e o músico Guego Favetti guardam na memória partituras exclusivas e projetos idealizados na época, reforçando a forte ligação que o maestro manteve com a cultura local.
Hermeto Pascoal faleceu em setembro de 2025, aos 89 anos, no Rio de Janeiro, mas sua passagem marcante por terras paranaenses continua viva na memória de quem conviveu com seu gênio inventivo e generoso.
Por Redação Acontece AconteceIA Arquivo Pessoal e Divulgação / Gabriel Quintão
