Quem é médica condenada por dar falsos diagnósticos de câncer de pele e solicitar cirurgias desnecessárias no Paraná

Uma falsa especialista que atuava em Pato Branco, na região sudoeste paranaense, recebeu uma sentença de 11 anos e 8 meses de reclusão após ser considerada culpada por emitir laudos oncológicos fictícios e induzir pacientes a intervenções cirúrgicas desnecessárias.

O esquema de falsificação de laudos em Pato Branco

O caso veio à tona em março de 2024, quando frequentadores do consultório começaram a desconfiar das abordagens adotadas pela profissional. A investigação revelou que ela usava uma máquina de xerox para alterar documentos médicos dentro do próprio local de atendimento, sobrepondo papéis para forjar resultados positivos para tumores malignos.

A atuação criminosa envolvia uma intensa manipulação emocional. Os inquéritos mostraram que a falsa dermatologista examinava manchas e pintas, alegava riscos iminentes de malignidade e exigia que as cirurgias fossem feitas imediatamente. Em um dos episódios gravados, ela chegou a celebrar a remoção de um falso melanoma, induzindo a vítima a acreditar que havia escapado de metástase.

Investigação policial e prejuízos financeiros

Ao todo, cerca de 38 pessoas prestaram depoimento à Polícia Civil relatando terem sido enganadas. O Ministério Público calculou que o rombo financeiro provocado às vítimas ultrapassou a marca de R$ 130 mil, somando consultas, exames e procedimentos cirúrgicos desnecessários que deixaram marcas físicas e psicológicas.

A defesa informou que a sentença de primeiro grau acolheu apenas parcialmente as acusações e que pretende entrar com recursos para reverter a condenação.

Situação nos conselhos de medicina e redes sociais

Nas plataformas digitais, onde acumulava mais de 17 mil seguidores, a mulher se apresentava como especialista em dermatologia e oncologia cutânea, embora não possuísse o registro oficial de especialidade nos conselhos regionais do Paraná e de São Paulo.

O Conselho Regional de Medicina do Paraná já havia aplicado uma punição de censura pública por propaganda enganosa de especialidade médica e determinado a interdição cautelar total de suas atividades ainda em 2024. A Justiça agora define o desfecho penal para os crimes de estelionato, lesão corporal e exercício ilegal da medicina.

Por Redação Acontece

Redes Sociais/Reprodução

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