A estratégia de segurança pública adotada por Nayib Bukele em El Salvador virou o principal modelo para políticos da direita brasileira que miram as eleições de 2026, gerando debates intensos sobre a viabilidade dessas medidas no cenário nacional e estadual.
Propostas de endurecimento penal no Brasil
Nomes como Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) passaram a defender discursos focados em prisões severas, expansão das vagas no sistema carcerário, retomada de áreas dominadas por facções e uma postura implacável contra a criminalidade organizada, inspirando-se abertamente na chamada tolerância zero implementada na América Central.
Os limites impostos pela Constituição de 1988
Especialistas em direito apontam que a principal barreira para copiar o estilo salvadorenho está na Carta Magna brasileira. O regime de exceção criado por Bukele suspendeu direitos básicos e garantias fundamentais — como habeas corpus, contraditório e ampla defesa —, pilares do ordenamento jurídico do Brasil que impedem a reprodução exata de prisões em massa sem o devido processo legal.
Diferenças estruturais do crime organizado
Além do obstáculo legal, facções brasileiras como o PCC e o Comando Vermelho possuem ramificações transnacionais e redes robustas de lavagem de dinheiro, diferindo das gangues salvadorenhas. Outro ponto crítico é que as maiores organizações do Brasil nasceram dentro dos próprios presídios, o que significa que o encarceramento em massa sem controle estatal rigoroso pode, ironicamente, fortalecer o recrutamento interno para o crime.
Por Redação Acontece
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