A construção civil é responsável por gerar anualmente cerca de 200 mil metros cúbicos de lixo em Londrina, conforme dados da Kurica Ambiental, empresa de gestão de resíduos da região. Materiais como pedra, areia, ferro, madeira, terra, mármore, gesso e copos descartáveis compõem esse volume. No entanto, o impacto financeiro e ecológico desse descarte pode ser amenizado drasticamente com uma atitude elementar: a triagem adequada dentro dos próprios canteiros antes da destinação final.
O destino dos materiais reaproveitáveis
De acordo com o gerente comercial da Kurica Ambiental, André Dorrighello, quando as construtoras realizam uma boa segregação de resíduos, os detritos seguem para um pátio de britador. Lá, passam por trituração para retornar ao mercado em formato de pedra brita, rachão, areia e pedrisco. Para isso, o sistema exige insumos 100% puros, a exemplo de tijolos, telhas, mármore, granito e asfalto, evitando que tais elementos terminem em aterros e gerem passivos ambientais.
Prejuízos causados pela mistura de materiais
Quando o lixo chega totalmente misturado, perde-se a possibilidade de aproveitamento e o material é classificado como rejeito, já que itens como entulho limpo e gesso tornam-se impossíveis de separar. Essa prática encarece o processo para as companhias. Uma caçamba de entulho limpo custa R$ 350, enquanto uma de gesso sai por R$ 600, totalizando R$ 950. Caso o envio ocorra com tudo misturado, o preço salta para R$ 1,2 mil.
Desafios logísticos nas construtoras
Apesar dos benefícios, as incorporadoras costumam enfrentar dificuldades operacionais devido ao peso dos detritos, à necessidade de múltiplas caçambas e à demanda por equipe dedicada exclusivamente à triagem. A busca por agilidade faz com que a maioria prefira descartar tudo na mesma caçamba.
Exemplo prático de gestão em Londrina
Em Londrina, uma iniciativa da construtora Vectra tem transformado essa realidade por meio de um programa interno voltado à mudança cultural de funcionários e terceirizados. A estratégia conecta o descarte correto aos pilares do 5S, ferramenta de gestão focada em organização e limpeza. A empresa passou a disponibilizar bags identificadas, facilitando a destinação adequada e acompanhando a ação com treinamentos sobre responsabilidade ambiental.
Auditorias e engajamento das equipes
Segundo a engenheira civil e assistente de processos da Governança Corporativa da Vectra, Milena Bossone, a comunicação visual precisa vir acompanhada de conscientização contínua. A cada três meses, ocorrem encontros para reforçar a importância da origem da segregação. O programa, criado há um ano, integrou-se às auditorias quinzenais de 5S, onde se avalia o conteúdo das bags para garantir a ausência de materiais recicláveis no lixo comum. O aprendizado inicial veio após uma visita técnica à sede da Kurica Ambiental.
Vantagens operacionais e ambientais
Manter os canteiros limpos e livres de obstáculos eleva a segurança no trabalho. A organização otimiza a visualização das atividades pelos encarregados e mantém rotas de fuga desobstruídas para eventuais emergências, além de reduzir custos e preservar o ecossistema.
A Kurica Ambiental já percebe os reflexos positivos dessa mudança. Antes transportados soltos e misturados em caçambas, os materiais da construtora londrinense agora chegam em caminhões basculantes divididos entre rejeitos e bags com recicláveis, otimizando o transporte e facilitando o processo de reciclagem.
Por Redação Acontece
Divulgação/Vectra
