'É preciso tirar o consumidor da posição de vítima’, diz especialista

Pesquisa recente conduzida na Universidade de São Paulo (USP) revela que a aquisição de mercadorias pirateadas, contrabandeadas ou roubadas no país vai muito além de uma questão de renda, envolvendo complexos mecanismos psicológicos e de racionalização ética por parte dos compradores.

A psicologia por trás da compra de itens piratas

O estudo conduzido por Angelo Calori, especialista em governança e crimes financeiros, detalha que grande parte dos indivíduos tem plena consciência da ilegalidade desses produtos, mas ainda assim decide adquiri-los. A explicação para essa contradição reside no funcionamento do cérebro humano, que utiliza respostas rápidas para economizar energia e, quando questionado, busca argumentos para justificar a conduta.

Preço, disponibilidade e as desculpas mais comuns

Entre os principais argumentos utilizados para legitimar o consumo irregular estão o custo elevado dos itens originais e a facilidade de acesso. Muitos consumidores recorrem ao “efeito manada”, pensando que se não aproveitarem a oportunidade, outra pessoa o fará. Outras justificativas frequentes incluem a solidariedade com ambulantes e a revolta contra tributos elevados ou lucros excessivos de grandes corporações.

O comportamento em diferentes classes sociais

A prática não se restringe às camadas de menor poder aquisitivo. Nas classes mais altas, o comportamento ilegal assume outras facetas, como a importação de bens sem declaração na alfândega ou a exploração de brechas legislativas. O mecanismo mental, contudo, permanece idêntico: buscar vantagem e formular uma justificativa aceitável para si mesmo.

Como combater efetivamente o mercado ilegal

Para mitigar o problema, o especialista defende uma atuação dupla que combine o rigoroso cerco ao crime organizado com a conscientização do comprador. É fundamental abandonar a ingenuidade das placas puramente legalistas e conectar a compra de pirataria a crimes reais e violentos, como roubos de celulares, gerando uma real empatia com as vítimas diretas dessas redes criminosas.

Por Redação Acontece

Foto: Freepik

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