Por AconteceIA
Após quase três anos na estrada, cerca de 39 mil quilômetros percorridos e 16 nações atravessadas exclusivamente sobre duas rodas, o engenheiro civil Lucca Cardoso Borges Rosa, de 27 anos, concretizou o sonho de infância de chegar ao Alasca partindo de bicicleta.
H2 Da paixão de infância ao planejamento estratégico
Natural de Araxá, em Minas Gerais, e formado pela Universidade de São Paulo (USP), Lucca trabalhava com marketing digital em uma multinacional antes de largar tudo para viver a expedição. Filho de uma professora de educação física e de um pai entusiasta de esportes, ele teve contato precoce com a modalidade, mas foi durante a faculdade, após uma viagem de duas semanas pelo Uruguai em 2019, que percebeu o desejo de explorar o mundo pedalando.
A preparação exigiu anos de foco. Conciliando os treinos com o trabalho remoto e economizando os ganhos de um estágio e de seu emprego na área digital, ele realizou testes prévios em Santa Catarina e no Paraná em 2021. O plano inicial, que consistia em pedalar por seis meses na América del Sul, expandiu-se gradualmente até abranger todo o continente americano, unindo dois pontos extremos: Ushuaia, na Argentina, e o Alasca.
H2 A rotina na estrada e os maiores obstáculos
A largada ocorreu em 1º de outubro de 2023, na Terra do Fogo. Desde então, o ciclista pedalou por Argentina, Chile, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Panamá, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, Belize, México, Estados Unidos e Canadá.
O cotidiano na rota não possui rigidez, moldando-se conforme o clima e o relevo. O esforço diário costuma durar de oito a nove horas, com cerca de seis horas dedicadas estritamente aos pedais. Para pernoitar, o mineiro costuma montar uma barraca em áreas gratuitas junto à natureza, preparando suas próprias refeições.
H3 Desafios físicos e emocionais
Embora tenha enfrentado ventos extremos na Patagônia e altitudes severas entre 4 mil e 5 mil metros na Cordilheira dos Andes, Lucca aponta que o maior obstáculo foi o fator psicológico. A saudade da família e a solidão inerente a uma jornada solitária exigiram grande resiliência mental.
H2 Diversidade cultural e solidariedade global
Entre os pontos altos da expedição, o ciclista destaca o contraste cultural. Locais como a Bolívia e a Nicarágua evocaram uma sensação de viagem no tempo, com vilarejos rústicos e ausência de infraestrutura moderna. Já na América do Norte, encontrou realidades distintas, mas constatou um traço comum em todos os lugares: a bondade humana.
Segundo ele, a bicicleta atua como um catalisador de empatia. Na América Latina, moradores frequentemente o abrigavam ao saber que ele acamparia. No México, gerava curiosidade instantânea em mercados locais, enquanto nos Estados Unidos e no Canadá a recepção inicial era mais reservada, mas igualmente acolhedora após o primeiro contato.
H2 Financiamento da jornada e próximos passos
Cerca de 90% dos custos da aventura foram arcados com as economias acumuladas em três anos de trabalho prévio, além de pequenas parcerias, doações e campanhas de financiamento coletivo em momentos críticos.
Com os recursos financeiros no limite, Lucca segue contando com o apoio de seguidores por meio do Pix e da plataforma Buy Me a Coffee para custear a reta final de seu trajeto pelo Canadá. A previsão é continuar pedalando até setembro e retornar ao Brasil na primeira semana de outubro, somando aproximadamente 41 mil quilômetros rodados e acumulando memórias que, segundo ele, só serão totalmente compreendidas após o retorno definitivo ao solo brasileiro.
