Dados oficiais da Justiça Eleitoral revelam que o patrimônio declarado pelos ex-prefeitos de Foz do Iguaçu, Chico Brasileiro e Paulo Mac Donald Ghisi, encolheu de forma expressiva ao longo de suas trajetórias na vida pública.
A evolução dos bens de Chico Brasileiro e Paulo Mac Donald
Chico Brasileiro, que administrou a cidade entre 2017 e 2024 e agora concorre a deputado federal, declarou R$ 308 mil em 2008, quando disputou como vice na chapa de Mac Donald. Em 2026, seus bens somam R$ 302,9 mil. Embora nominalmente a redução pareça pequena, de apenas 1,6%, a inflação muda o cenário. Quando corrigido pelo IPCA para agosto de 2026, o montante de 2008 equivaleria a aproximadamente R$ 800 mil, o que representa uma desvalorização real de cerca de 63%.
No caso de Paulo Mac Donald Ghisi, prefeito entre 2005 e 2012 e candidato à Assembleia Legislativa do Paraná, o contraste é ainda mais acentuado. Em 2008, ele declarou R$ 11,8 milhões — o equivalente a cerca de R$ 31,7 milhões em valores atuais. Atualmente, a declaração soma R$ 4,75 milhões, configurando uma queda nominal de quase 60% e uma retração real que chega a 85%.
Justificativas para a redução patrimonial
A assessoria de Paulo Mac Donald atribuiu a mudança a uma reorganização patrimonial familiar e a processos de partilha de bens iniciados a partir de 2015. A equipe pontuou que a correção pelo IPCA não reflete isoladamente a valorização ou desvalorização dos ativos, visto que a titularidade e a composição dos bens sofreram alterações ao longo dos anos. Contudo, não foram detalhados quais valores estiveram envolvidos nessas partilhas.
Já a equipe de Chico Brasileiro justificou que a variação decorre de mudanças no formato de preenchimento das declarações ao longo do tempo. Segundo a assessoria, as declarações anteriores incluíam os bens do casal, enquanto as mais recentes apresentam os valores de forma individualizada, provocando a queda aparente nos registros oficiais.
Panorama dos demais candidatos da região
O levantamento com base nas informações do Tribunal Superior Eleitoral também mapeou a situação de outros políticos da região que disputam cargos legislativos. Candidatos como Dr. Ranieri e Matheus Vermelho registraram quedas expressivas em seus patrimônios reais ao longo das últimas eleições.
Por outro lado, alguns concorrentes apresentaram forte crescimento financeiro declarado no mesmo período. Nomes como Darlon Paraná Pop e Flávio Ferrari viram seus bens saltarem de maneira expressiva em curtos intervalos de tempo, evidenciando trajetórias financeiras distintas entre os postulantes aos cargos federais e estaduais.
Em meio a 39 nomes analisados pelo levantamento, a comparação entre candidaturas demonstra que fatores como inflação, reorganizações familiares e mudanças nas regras de declaração impactam diretamente os números oficiais apresentados à Justiça Eleitoral.
