Santiago Peña é preso no Paraguai após destituição e transferido para quartel militar sob protestos

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi preso pelas forças policiais na noite desta sexta-feira (6) e madrugada deste sábado (7 de novembro), poucas horas após ter seu mandato cassado por unanimidade em julgamento político no Senado.

Operação anticorrupção e mandado

A detenção atende ao mandado expedido pela Promotoria Especializada em Crimes Econômicos e Anticorrupção no âmbito das investigações sobre o desfalque do ueno bank.

Inicialmente, a comitiva fiscal e policial compareceu à residência de Peña, localizada no bairro Mburucuyá (La Piedad), em Assunção. A promotora Ruth Benítez confirmou que o ex-mandatário manifestou disposição em se submeter à Justiça e que a ordem de detenção passou a ser cumprida na própria casa.

Contudo, perto da meia-noite, a situação de segurança agravou-se no entorno do imóvel. Centenas de manifestantes reuniram-se em frente à residência exigindo a prisão do ex-presidente. Agentes da Polícia Nacional agiram com repressão, registrando-se disparos contra a multidão e arremesso de objetos.

Alegando a presença de manifestantes, risco de infiltrados e a impossibilidade de garantir a integridadade física de Peña e de sua família, equipes de segurança efetuaram a evacuação rápida do ex-presidente sob comboio ostensivo.

Peña foi transferido para a sede do Regimento Escolta Presidencial, onde permanece custodiado em caráter preventivo. É desse quartel militar que ele será transportado às 11h deste sábado para prestar depoimento na sede do Ministério Público.

Acusações e desdobramentos do caso

Segundo adiantou o fiscal Christian Benítez, Santiago Peña é investigado pelos crimes de lesão de confiança, administração em benefício próprio e tráfico de influências.

A denúncia apresentada por senadores e deputados oposicionistas no Congresso aponta que a apuração do caso ueno bank não deve se restringir aos diretores da entidade bancária, mas também alcançar as autoridades do Banco Central do Paraguai (BCP) e gestores de instituições públicas (como o Instituto de Previsão Social – IPS) que decidiram alocar, renovar ou manter recursos estatais e de aposentadorias na instituição financeira em crise.

Investigações apontam para a participação acionária direta de Peña no conglomerado Ueno Holding — declarada em 2023 no valor de G. 6,144 bilhões, além de Certificados de Depósito de Ahorro (CDA) e bônus da empresa ITTI Saeca —, além da transferência de participações acionárias da holding em Luxemburgo para seu irmão, Francisco Peña Palacios, no ano de 2024.

A crise institucional gerada pela queda do ex-mandatário continua a repercutir fortemente na região e nos países vizinhos, com autoridades acompanhando de perto os próximos passos da Justiça paraguaia.

Por Redação Acontece

Fotos: Elisa Marecos Saldívar e Sandino Flecha Torres/Reprodução

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