Polícia Federal cancela passaportes de Flávio Bolsonaro após descumprimento de ordem do STF

A Polícia Federal (PF) efetuou o cancelamento dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta terça-feira (27 de outubro). A medida administrativa foi adotada após o parlamentar não cumprir o prazo para a entrega voluntária dos documentos de viagem à autoridade policial.

Ordem do Supremo Tribunal Federal

A proibição de deixar o território nacional e a ordem para o recolhimento dos passaportes foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na noite do último domingo (25), após a apuração das urnas no segundo turno. A decisão tramita em segredo de Justiça, mas foi confirmada e criticada pelo próprio senador em suas redes sociais.

A Polícia Federal vai oficiar o STF para comunicar formalmente o descumprimento da ordem judicial por parte do parlamentar.

Investigação e movimentações financeiras

O processo que motivou a retenção dos documentos investiga esquemas de suspeita de lavagem de dinheiro no STF, envolvendo o advogado Willer Tomaz e o senador. Na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes já havia determinado o bloqueio de até R$ 6 bilhões do advogado, no âmbito de apurações sobre negócios ligados a plataformas de apostas eletrônicas (bets).

Segundo o levantamento preliminar da Polícia Federal, Flávio Bolsonaro seria um dos beneficiários de repasses da Alcazar Holdings, empresa com sede na Ilha da Madeira, em Portugal, que também é alvo de inquérito criminal da PF.

O senador declarou que a fundamentação do STF utilizou declarações de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro — que atualmente se encontra nos Estados Unidos mesmo com mandado de prisão em aberto no Brasil. Na ocasião, Eduardo sugeriu publicamente que o irmão deveria deixar o país caso fosse derrotado na disputa presidencial.

Repercussão internacional e controle migratório

O cancelamento dos passaportes ocorre em meio ao forte impacto internacional gerado por reportagens da imprensa argentina. No início da manhã desta terça-feira, o portal Infobae noticiou que o senador teria cruzado a fronteira de Misiones por via terrestre usando sua carteira de identidade para embarcar em um jato executivo Gulfstream G400 (matrícula LV-JQW) no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú rumo aos Estados Unidos.

Contudo, até o momento, não há registro formal de saída do senador no sistema da Polícia Federal do Brasil.

Em Buenos Aires, a Casa Rosada também informou que não consta no sistema de migrações argentino qualquer registro oficial da entrada de Flávio Bolsonaro no país vizinho. A aeronave citada nas reportagens permanece retida na pista em Puerto Iguazú após ter a autorização de decolagem negada pela Administração Nacional de Aviação Civil (ANAC) da Argentina.

As investigações seguem em sigilo enquanto os órgãos competentes apuram os desdobramentos do caso e a localização do parlamentar.

Por Redação Acontece

Imagem: Reprodução do perfil da Infobae na rede social X.

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