Investigação apura desvios de doações para vítimas de tornado que destruiu 90% de cidade do Paraná

Investigação apura desvio de doações para vítimas de tornado no PR Polícia e Ministério Público investigam suposto desvio de doações destinadas a desabrigados de tornado em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná. A Polícia Civil e o Ministério Público do Paraná deflagraram uma operação conjunta para investigar o suposto desvio de mantimentos e produtos arrecadados para ajudar a população de Rio Bonito do Iguaçu, município na região central do estado que teve 90% da área destruída por um tornado em novembro de 2025.

Apreensões e alvos da operação

Nesta quarta-feira (2), duas ordens de busca e apreensão foram cumpridas na cidade paranaense. Os agentes estiveram na sede da Secretaria Municipal de Assistência Social e no barracão do Centro de Eventos, locais designados para o armazenamento de alimentos, roupas e outros suprimentos. Entre os investigados estão servidores públicos e autoridades locais. Contudo, os nomes e cargos não foram revelados publicamente, pois o processo tramita sob sigilo de justiça.

Origem das suspeitas e transporte irregular

O caso começou a ser apurado após o Ministério Público receber denúncias de que, em agosto, um automóvel oficial da prefeitura foi utilizado para levar itens a uma residência na cidade vizinha de Laranjeiras do Sul. Dias depois, uma nova viagem com veículo público para o mesmo endereço foi identificada. A Polícia Civil abordou o carro e confirmou que a Secretaria de Assistência Social autorizou o uso do transporte, combustível e de um funcionário público para levar donativos e bens municipais até a casa de um detento que cumpre pena em regime que permite serviços externos no município afetado pelo desastre.

Crime investigado e posicionamento oficial

Nenhum suspeito foi preso preventivamente até o momento, já que a corporação policial busca confirmar se os mantimentos de fato deixaram de chegar aos desabrigados. A suspeita é de que os produtos tenham sido entregues a cidadãos que não se enquadravam nos critérios de vulnerabilidade. O inquérito apura o crime de peculato, configurado quando um funcionário público se apropria de bens públicos ou particulares sob sua guarda em razão do cargo, ou os desvia em benefício próprio ou de terceiros. A pena prevista para esse tipo penal varia de 2 a 12 anos de reclusão. Em nota oficial, a Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu declarou surpresa com as diligências, mas afirmou que tem colaborado integralmente com os órgãos de controle. A administração municipal garantiu que todos os donativos foram distribuídos de maneira correta para amparar as famílias necessitadas e que eventuais inconsistências serão esclarecidas no decorrer das apurações. Por Redação Acontece Foto: Ari Dias/AEN

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