O planeta Terra caminha para um aquecimento global superior a 1,5°C já nos próximos anos, conforme advertiu um estudo recente divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Mesmo considerando um panorama otimista onde todas as promessas climáticas governamentais sejam cumpridas rigorosamente, a alta térmica deve alcançar a marca de 1,8°C.
Estratégia de reversão climática
Apesar dos prognósticos preocupantes, a agência da ONU aponta que o cumprimento das metas estabelecidas pelo Acordo de Paris ainda é viável. A proposta consiste em limitar o avanço da temperatura a 2°C em comparação ao período pré-industrial, mantendo o esforço máximo para não ultrapassar 1,5°C por meio de uma tática de ultrapassagem, pico e declínio.
Para que esse plano funcione, o mundo precisará implementar reduções imediatas e contínuas nas emissões de gases poluentes, com destaque para o metano. Além disso, o processo exige a remoção ativa de carbono da atmosfera, o que pode ser alcançado através de iniciativas como o reflorestamento em larga escala.
As quatro fases do controle térmico
O secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou que os incêndios florestais e as ondas de calor atuais funcionam como um chamado urgente. O plano para conter a crise divide-se em quatro etapas distintas.
A primeira é a excedência, quando o limite de 1,5°C é superado antes do ápice. Em seguida ocorre o planalto, momento em que o aquecimento se estabiliza no patamar máximo antes de regredir. A terceira fase é o declínio, marcada pela queda gradual das temperaturas médias. Por fim, a estabilización consolida o retorno aos patamares de 1,5°C ou menos.
Impactos severos e urgência global
Para que o termômetro retorne à meta ideal, contudo, é fundamental que o pico da temperatura não ultrapasse 1,8°C. A diretora executiva do Pnuma, Inger Andersen, reforça que não existem cenários positivos se o planeta permanecer acima do limite seguro.
Ultrapassar essa barreira significará enfrentar eventos climáticos extremos ainda mais violentos, degradação de ecossistemas e o risco de submersão para cidades costeiras e Pequenos Estados Insulares. Os danos também atingirão profundamente a saúde humana, a segurança alimentar e a economia global.
Por Redação Acontece
Imagem: Divulgação / ONU
