Há noventa anos, o governo brasileiro tomava uma decisão que selaria o trágico destino de uma das maiores militantes comunistas do século XX. O então presidente Getúlio Vargas assinava o decreto que expulsava Olga Benário Prestes do país, entregando-a diretamente ao regime de Adolf Hitler na Alemanha nazista.
A prisão no Rio de Janeiro e o cerco do governo
Em março de 1936, uma operação policial de grande escala na Zona Norte do Rio de Janeiro culminou na captura de Olga e de seu marido, o líder comunista Luiz Carlos Prestes. Mesmo sabendo que a ativista era judia, estava grávida e sofria perseguições severas sob o regime germânico — intensificadas pelas recém-editadas Leis de Nuremberg —, o governo brasileiro ignorou os apelos da defesa. Nem mesmo a negativa do Supremo Tribunal Federal em conceder habeas corpus impediu a medida drástica.
De Munique à militância internacional
Nascida em Munique, Olga integrou muito jovem os movimentos de esquerda na Alemanha. Após planejar a audaciosa fuga de seu primeiro companheiro, Otto Braun, da prisão de Moabit, ela refugiou-se na União Soviética. Lá, destacou-se pela inteligência, disciplina rigorosa e preparo militar. Em 1931, conheceu Prestes em Moscou, aceitando a missão de retornar ao Brasil com documentos falsos para articular uma revolta armada contra as estruturas de poder da época.
Após o fracasso da chamada Intentona Comunista e a subsequente repressão comandada por Vargas, o casal refugiou-se na clandestinidade. Foram meses de fuga até serem descobertos pelas forças de segurança no bairro do Cachambi, marcando o início do fim para a militante alemã.
O desfecho trágico e o legado de resistência
Deportada de navio no final de 1936, Olga deu à luz sua filha, Anita Leocádia Prestes, em um cárcere da Gestapo. A criança foi entregue à avó materna após alguns meses, enquanto a mãe foi transferida para o campo de concentração de Ravensbrück. Em abril de 1942, ela foi assassinada em uma câmara de gás. Anos mais tarde, sua trajetória inspirou livros e produções cinematográficas de enorme alcance nacional, imortalizando sua coragem diante da barbárie nazista.
Por Redação Acontece
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