Centenas de moradores do Distrito Federal aproveitam o período das eleições para garantir um dinheiro extra atuando como militantes de rua, conhecidos popularmente como bandeirinhas. Expostos a longas jornadas sob sol forte e calor intenso, muitos encontram na necessidade financeira a principal motivação para encarar essa rotina exaustiva.
A realidade financeira dos cabos eleitorais
Para quem está sem emprego formal, a remuneração temporária faz diferença no orçamento doméstico. É o caso de Patrícia Dias dos Santos, moradora da Estrutural de 41 anos, que usa o uniforme de campanha para complementar a renda de sua família de seis pessoas.
O valor recebido pelo mês de serviço ajuda a somar forças com o Bolsa Família e bicos de reciclagem. A jornada é dividida em turnos que incluem distribuição de panfletos de porta em porta e o tradicional trabalho com bandeiras em passarelas movimentadas, intercalado com os afazeres de casa.
Flexibilidade e o sustento da família
A ocupação temporária também atrai quem precisa conciliar o trabalho com a dedicação integral aos filhos. Kelly Gonçalves, de São Sebastião, aponta que a falta de horários flexíveis em empregos tradicionais impede uma contratação com carteira assinada, já que precisa atender às demandas da filha com deficiência.
Apesar do cansaço físico decorrente da exposição solar e das caminhadas diárias, a garantia de receber um valor fixo no encerramento do mês serve de incentivo para continuar na atividade.
Tradição e estratégia nas ruas
Enquanto alguns buscam o sustento imediato, outros mantêm um vínculo histórico com a atividade. A aposentada Marizete Braz de Oliveira, de 67 anos, atua na área desde a adolescência e vê na mobilização uma forma de manter contato com a comunidade e participar ativamente do processo político.
Do ponto de vista estratégico, especialistas na área explicam que a presença de apoiadores reais nas vias públicas é fundamental para as campanhas. A tática gera uma percepção de proximidade entre eleitores e candidatos, além de fornecer material visual dinâmico para as redes sociais e fixar a identidade visual dos postulantes.
Por Redação Acontece
Vinícius Schmidt/Metrópoles
