A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodriguez, afirmou neste sábado (29) que o país vai preservar o total controle sobre o seu petróleo, apesar da recente parceria firmada com os Estados Unidos.
Posicionamento sobre o acordo
Durante pronunciamento na televisão estatal, a líder venezuelana enfatizou que a soberania e a posse dos recursos naturais permanecem inalteradas, respondendo diretamente às declarações do presidente norte-americano Donald Trump feitas no dia anterior.
Na sexta-feira (28), Trump havia anunciado o que chamou de o maior pacto petroleiro da história global, alegando que Washington garantiu o controle majoritário de mais de 65 bilhões de barris das reservas venezuelanas, o que duplicaria os estoques estratégicos dos Estados Unidos.
Investimentos e impacto econômico
Conforme a explicação de Rodriguez, a aliança bilateral busca transformar riquezas subterrâneas estagnadas em motores de prosperidade social e econômica para a população local, impulsionada por US$ 100 bilhões (R$ 519 bilhões) em aportes privados de companhias norte-americanas voltados à recuperação do setor.
A manifestação pública serviu para aplacar contestações virtuais, inclusive vindas de aliados políticos, que temiam o comprometimento da soberania nacional e apontavam riscos políticos elevados na aproximação com a potência estrangeira.
Reação partidária e sanções
O partido governista endossou as iniciativas econômicas neste sábado, destacando que as ações defendem os interesses do país e buscam mitigar os danos provocados por mais de dez anos de restrições comerciais, embargos e sanções unilaterais impostas por Washington.
Historicamente crítica das penalidades aplicadas pelos Estados Unidos durante a gestão de Nicolás Maduro — deposto e preso por Trump —, a legenda observa agora um alívio nessas medidas sob a gestão de Rodriguez, o que já elevou a extração de óleo para 1,2 milhão de barris diários (+29,8%) entre janeiro e julho, patamar ainda distante dos 3 milhões diários registrados há um quarto de século.
Perspectivas futuras para o setor
A expectativa é que esses volumes cresçam ainda mais com o novo entendimento diplomático e comercial, atraindo gigantes do setor como a petroleira americana Chevron, que mantém conversas avançadas para ampliar suas atividades locais.
Apesar de a presidente interina projetar uma arrecadação fiscal de US$ 204 bilhões (R$ 1,06 trilhão) decorrente do pacto — sem detalhar o mecanismo de repasse —, especialistas da área avaliam o cenário com otimismo cauteloso. Dolores Dobarro, ex-ministra de Energia do país, avalia que a cooperação representa uma via promissora para a revitalização da indústria petrolífera local, desde que executada com rigor e planejamento adequado.
