Presidente da Câmara de Guarapuava é alvo de operação policial Investigação apura esquema de propina e fraude na liberação de obra irregular em Guarapuava. Presidente da Câmara e ex-secretário são alvos. Uma operação policial deflagrada nesta quarta-feira (26) cumpriu 20 mandados de busca e apreensão contra o presidente da Câmara de Vereadores de Guarapuava, Pedro Moraes (MDB), e empresários locais. A ação investiga um suposto esquema de corrupção voltado para a regularização ilegal de uma farmácia construída sem licença prévia na cidade paranaense.
Detalhes do esquema investigado
De acordo com o Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria), os fatos ocorreram entre 2022 e 2023. O estabelecimento comercial teve as obras iniciadas em 2019 sem nenhum projeto aprovado ou alvará. Após a Secretaria Municipal de Habitação e Urbanismo embargar a construção, os donos buscaram ajuda política para destravar o projeto. As investigações apontam que o presidente do Legislativo municipal teria exigido cerca de R$ 100 mil em propina para intermediar a liberação da obra junto à administração pública. Em contrapartida, o político atuou diretamente para que o então secretário municipal de Habitação e Urbanismo assinasse pessoalmente o alvará de licença, mesmo sem possuir formação técnica em Engenharia Civil ou Arquitetura.
Envolvimento de servidores e redução de tributos
O inquérito também identificou repasses financeiros suspeitos nas contas do ex-secretário e atual vereador Danilo Dominico, além de um funcionário do setor tributário. Na época, um diretor de Arrecadação teria substituído o laudo de um avaliador imobiliário oficial para diminuir o valor dos tributos devidos pela regularização da obra.
Posicionamento dos citados
A Câmara Municipal de Guarapuava confirmou o cumprimento dos mandados em suas dependências, informou que colaborou com as equipes e declarou que aguarda acesso aos autos para se manifestar sobre o mérito. Em vídeo publicado nas redes sociais, o vereador Pedro Moraes negou qualquer irregularidade, classificou a ação como perseguição da “velha política” e garantiu que nunca recebeu propina. Por sua vez, a defesa de Danilo Dominico afirmou que o cliente não recebeu valores ilícitos e que ele segue à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
