O artista plástico argentino Miguel Hachen, amplamente reconhecido por traduzir a diversidade cultural da Tríplice Fronteira por meio da estética neoguarani, faleceu nesta quinta-feira (27), aos 63 anos, em Foz do Iguaçu.
O legado visual na Praça da Paz
Morador de Foz do Iguaçu há mais de três décadas, Hachen deixou sua marca registrada em murais e mosaicos espalhados por toda a região trinacional. Entre suas criações mais emblemáticas está o monumental painel A Lenda das Cataratas do Iguaçu, localizado na Praça da Paz, no centro da cidade. Com 165 metros quadrados, a obra em mosaico retrata a fauna e a flora do Parque Nacional do Iguaçu, além de eternizar a clássica lenda de amor entre os indígenas Naipi e Tarobá.
Origens e a criação do Neoguarani
Nascido na província de Misiones, na Argentina, o artista passou a infância em contato direto com a cultura indígena e os povos gaúchos, mudança que moldou sua visão artística antes de estudar na capital argentina. Essa bagagem inspirou o neoguarani, corrente estética criada por ele para valorizar a identidade visual e as tradições locais, unindo influências guaranis presentes na culinária, no vocabulário e na geografia da região.
Projeção internacional e literatura infantil
O talento do artista ultrapassou as fronteiras sul-americanas. Suas obras integraram exposições e acervos em países como Itália, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e Marrocos, difundindo a cultura da fronteira internacionalmente.
Além dos grandes murais, como a obra Ysy, Kuarahy ha Yvytu no Itaipu Parquetec, Hachen dedicou-se à literatura infantojuvenil. Em 2022, lançou PoeLenda das Cataratas, doando mil exemplares para distribuição em escolas, bibliotecas e centros comunitários de Foz do Iguaçu, incentivando a leitura e a preservação do patrimônio cultural local ao lado de títulos como Arte da Terra sem Mal e La Naturaleza del color.
