O estudante Arthur Baggio, de 24 anos, recebeu alta hospitalar na manhã desta terça-feira (27), cinco dias depois de ter sido atingido por um galho que despencou de uma árvore na Praça Osório, localizada em Curitiba, na última sexta-feira (23). O jovem agora inicia um longo processo de recuperação em sua residência.
Desafios da recuperação em casa
O acidente resultou em uma fratura na vértebra L4, situada na região lombar, além de lesões em dois ossos do tornozelo. Após passar por um procedimento cirúrgico na segunda-feira (26), o rapaz utiliza atualmente uma bota ortopédica, muletas e um colete especial para coluna.
“É um alívio muito grande não estar no hospital, já tira um pouco daquela energia ruim, mas me sinto angustiado, porque agora eu preciso adaptar toda a minha rotina. Eu era muito ativo, eu lutava jiu-jitsu, eu gostava de andar de skate, auxiliava minha avó, agora é uma nova vida. Dependo de todo o suporte para sair do meu quarto, levantar da minha cama, mas creio que vai ser um novo ritmo, vou ter que aprender a lidar com as coisas”, desabafa.
O impacto na rotina familiar também é expressivo, visto que o universitário era o responsável por cuidar da avó idosa. “Qualquer movimento que eu faça, eu sinto muita dor. Antes era eu quem dava o suporte. Agora sou eu que preciso do suporte. Para mim é uma situação muito triste, porque eu já não vou poder fazer essas coisas por ela. Vai ser uma nova adaptação, um novo recomeço. Como eu vou lidar com isso, eu ainda não sei, estou processando todas as informações na minha cabeça, ainda está muito recente, mas eu já estou contente de estar em casa”, afirma.
Ato heroico e apoio da prefeitura
No momento do incidente, o estudante demonstrou reflexo rápido ao empurrar uma amiga, identificada como Tamires, impedindo que ela também fosse atingida. “Tô chateado. Para mim, a falta de autonomia é o que prejudica mais. Graças a Deus, eu tive o reflexo na hora de ajudar a Tamires e evitar que ela se machucasse. Eu fico grato por isso. Sou muito grato à equipe do Siate, que me atendeu de prontidão, foram muito rápidos. Obrigado também à equipe do hospital, que foi muito solícita. Agora é me adaptar, saber como vou fazer as minhas coisas no dia a dia. É um processo”, resume, emocionado.
A secretária municipal de Saúde de Curitiba, Tatiane Filipak, entrou em contato com a família para oferecer suporte da rede pública. “Nós estamos à disposição para colocar o Arthur dentro do nosso fluxo de cuidado na rede de saúde e acompanhar dentro do que for necessário. A gente vê que o Arthur hoje também precisa, inclusive, desse suporte psíquico. A nossa rede de atenção primária tem condição de acompanhá-lo”, afirma a secretária.
Histórico de quedas e interdição da praça
O caso de Arthur marca o terceiro incidente com queda de galho na Praça Osório em menos de quatro meses. Em junho, uma jovem de 22 anos ficou paraplégica na mesma praça, e outro episódio ocorreu no dia 17 deste mês. Após a repercussão, a prefeitura isolou a área com cones, faixas e tapumes, antecipando as obras de revitalização previstas para o próximo ano.
Aníbal Baggio, irmão da vítima, criticou a demora na tomada de providências. “Sabendo dos outros casos que aconteceram em Curitiba, os nervos ficam à flor da pele. Na hora mesmo eu já fiquei bastante revoltado. A praça já deveria ter sido interditada no primeiro caso. Eles deixaram acontecer três casos para tomar uma atitude realmente efetiva sobre a situação”, afirma.
Por Redação Acontece
Arquivo Pessoal
