O renomado historiador cultural britânico Peter Burke afirmou durante evento em Foz do Iguaçu que o atual período digital, apesar do excesso de dados disponíveis, deve ser encarado como um momento de desconhecimento generalizado.
Palestras na Unila reúnem público no Paraná
Professor emérito de História Cultural da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Burke e a esposa, a também historiadora Maria Lúcia Pallares-Burke, marcaram presença em Foz do Iguaçu. Na quarta-feira, 14, a dupla ministrou palestras na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) sobre os temas Ignorância e Mulheres Polímatas na História Humana, atraindo cerca de 240 pessoas para o auditório. A mediação do debate ficou por cabo da professora Andreya Seiffert.
Autor do livro Ignorância — uma história global, o pesquisador de 89 anos detalha em sua obra as consequências negativas da falta de conhecimento em quatro setores específicos: negócios, política, epidemia e guerras. Entre os exemplos citados, ele aponta a vulnerabilidade de consumidores e os riscos de investimentos financeiros feitos por imitação, capazes de gerar bolhas e crises.
Impactos na política e o paradoxo da informação
No âmbito político, Burke avalia que o desconhecimento prejudica a democracia ao levar eleitores a escolherem candidatos de forma imprudente. O especialista mencionou dados dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha que indicam falhas na compreensão do eleitorado sobre plataformas políticas e relações internacionais, citando nominalmente o ex-presidente americano Donald Trump em relação a temas como o aquecimento global e vacinas.
O autor também destaca que governos e empresas frequentemente ocultam pautas sensíveis para manter parcelas da população sem acesso a dados cruciais. Para ele, o grande problema reside na velocidade da comunicação: “Não há tempo suficiente para selecionar toda informação bruta, transformá-la em conhecimento e comunicá-la aos outros.”
Protagonismo feminino e estudos históricos
Durante a programação, a historiadora Maria Lúcia Pallares-Burke abordou o apagamento histórico das mulheres na sociedade patriarcal, destacando personalidades como Christine de Pizan, Mary Somerville, Émile du Châtelet, Cristina da Suécia e a brasileira Nísia Floresta.
A vinda dos catedráticos ao Paraná ocorreu a convite do Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (Ceaec), impulsionada por pesquisadores dedicados ao estudo da polimatia. A coordenação na Unila esteve a cargo dos cursos de História, sendo celebrada pela comunidade acadêmica como uma oportunidade ímpar de aprendizado e proximidade com grandes referências mundiais.
Por Redação Acontece
Foto: Pedro Borges
