O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) tornou-se o primeiro organismo certificador do país a disponibilizar o Selo de Certificação de Madeira Engenheirada. Desenvolvida por meio de uma metodologia inédita, a solução une padrões normativos internacionais à análise simultânea de critérios de produto, processos produtivos e diretrizes de governança ambiental e social. Anteriormente, essa modalidade de chancela era emitida exclusivamente por entidades internacionais.
Abrangência e público-alvo do novo selo
Destinada a empresas situadas em todo o território nacional, a certificação valida itens de madeira engenheirada que comprovem desempenho estrutural, rigor técnico, origem rastreável, excelência na fabricação e responsabilidade ESG. O projeto foi estruturado para suprir as demandas de construtoras por estruturas confiáveis, indústrias de móveis que empregam derivados da madeira, além de importadores e construtores de empreendimentos sustentáveis.
“Com a iniciativa, o Tecpar dá um passo importante para o fortalecimento da qualidade e da competitividade da cadeia produtiva da construção em madeira no Brasil”, afirma o diretor-presidente do instituto, Eduardo Marafon.
Segundo ele, a certificação foi estruturada em resposta à crescente demanda global por produtos sustentáveis, seguros e rastreáveis neste segmento.
“Este novo programa representa um marco para o setor da construção sustentável e posiciona o Paraná como líder em tecnologia verde no setor madeireiro. Mais uma vez o Tecpar reforça seu protagonismo inovador ao desenvolver um modelo de certificação inédito, que alinha rigor técnico e compromissos socioambientais“, ressalta.
Metodologia e eixos de avaliação
Gerente do Setor de Certificação de Sistemas do Tecpar, Melissa Umata Lucato aponta que o objetivo principal é elevar a confiabilidade no emprego da madeira engenheirada como opção sustentável em substituição aos insumos tradicionais.
“Queremos proporcionar maior segurança para construtores, projetistas, investidores e consumidores. O selo também poderá ser aplicado para garantir conformidade técnica, segurança e aceitação comercial de novos produtos, além de ampliar a inserção dos produtos brasileiros em mercados que exigem comprovação de qualidade, origem e sustentabilidade”, pontua.
Inspirado em padrões estrangeiros, o protocolo nacional foi adaptado à realidade brasileira, integrando vistorias documentais, inspeções presenciais, análises laboratoriais e acompanhamento constante. A pontuação divide-se em três frentes: o eixo prioritário, com peso de 60%, foca nas propriedades técnicas e qualidade do item; o segundo eixo representa 30% e aborda a fabricação; enquanto o terceiro eixo, com 10%, avalia as práticas ESG.
“A certificação avalia toda a cadeia de produção da madeira engenheirada. É preciso saber de onde veio a madeira, como ela foi transformada, qual o seu desempenho estrutural, qual maturidade tecnológica da organização e como ela gerencia o ESG. Cada detalhe é avaliado e considerado no resultado final”, explica Melissa.
O reconhecimento divide-se em categorias bronze, prata e ouro, esta última também chamada de nível exportação, contemplando desde o controle básico até a excelência técnica internacional. O regulamento abrange tanto peças estruturais — a exemplo de vigas, pilares e painéis em CLT e MLC — quanto aplicações decorativas e mobiliário.
Impulsionamento do mercado
Para o pesquisador bolsista Patrick Reydams, integrante do projeto no Tecpar, a novidade chega para preencher uma lacuna de segurança sentida por incorporadores e clientes finais.
“Apesar de o sistema de engenheirada já ser normalizado pela NBR, não há hoje nenhum instituto que ateste que a empresa cumpre as normas. A certificação do Tecpar vem para fazer essa checagem e colocar o selo de garantia de qualidade nos requisitos de durabilidade, resistência mecânica, construção e processo desses produtos. Esse será um grande impulsionador do mercado de construção com madeira”, enfatiza.
Conforme aponta o especialista, o fator de destaque é a atuação independente de um terceiro validando todo o fluxo produtivo e normativo.
“Pela primeira vez, teremos uma terceira parte independente fazendo a auditoria e de processo e de produto, para garantir ao mercado que a empresa cumpre com todos os requisitos normativos e de processo na fabricação desses elementos”, conclui.
Por Redação Acontece
Imagem: Divulgação/Tecpar
