Prédio da Funai no Paraná recebe ataques com artefatos explosivos

A sede da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) localizada em São Jerônimo da Serra, no norte pioneiro do estado paranaense, foi alvo de um atentado com artefatos explosivos nesta quinta-feira (8).

Investigação policial e danos materiais

De acordo com informações divulgadas pelo Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a entrada da Unidade Técnica Local (UTL) sofreu sérios danos estruturais decorrentes da detonação.

Registros fotográficos feitos logo após o atentado mostram que as janelas de vidro do imóvel foram estilhaçadas pela força da explosão. Felizmente, o prédio estava vazio no momento do ocorrido e não houve registro de feridos.

Um boletim de ocorrência foi formalizado pela própria fundação, enquanto a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) foram acionadas para apurar as motivações e identificar os autores da ação criminosa.

Posicionamento oficial do governo

O ministério responsável pela pasta indígena declarou por meio de nota oficial que monitora de perto os desdobramentos da investigação em conjunto com as autoridades policiais.

“O Estado brasileiro não se intimidará diante de tentativas de coação, não aceitará qualquer tipo de violência e continuará firme no cumprimento de seu dever constitucional de garantir e proteger os direitos fundamentais dos povos indígenas”, diz a nota.

Contexto de disputas territoriais

O município de São Jerônimo da Serra carrega um histórico sensível de tensões ligadas a demarcações de terras. A localidade abriga aproximadamente 670 indígenas pertencentes a três etnias distintas: Guarani Ñandeva, Kaingang e Xetá.

Dados apontam que dezenas de famílias da etnia Xetá vêm promovendo a reocupação da Terra Indígena Herarekã Xetá desde o início do ano. A propriedade, registrada em nome de um morador da capital paranaense, tem sido cenário frequente de incêndios criminosos. O processo administrativo para a regularização definitiva da área arrasta-se desde o ano de 1999.

O episódio reforça a complexidade da segurança institucional na região, exigindo pronta resposta das autoridades federais na proteção dos órgãos de atendimento e das comunidades originárias.

Por Redação Acontece

Divulgação/MPI