As exportações do Brasil para os Estados Unidos registraram uma queda de 9,7% no acumulado de janeiro a agosto de 2026. O recuo ocorre em meio à implementação de um novo pacote de sobretaxas comerciais adotado pela gestão do presidente americano Donald Trump, afetando diretamente a economia nacional.
Impacto das novas taxas comerciais
Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Apesar do resultado negativo no acumulado dos oito meses, o mês de agosto apresentou uma alta isolada de 12,1% nas vendas externas para o país norte-americano.
Cerca de 23% dos produtos brasileiros enviados aos Estados Unidos foram atingidos pelas barreiras alfandegárias. As alíquotas adicionais chegam a patamares entre 25% e 37,5%, atingindo setores fundamentais como aço, madeira, sucos e itens de origem animal.
Desempenho da carne bovina e cenário global
No comércio exterior geral, as exportações de carne bovina — cuja principal praça compradora é a China — sofreram uma retração de 19,7% em agosto. De acordo com o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, o movimento decorre da proximidade do esgotamento da cota chinesa.
O avanço nas vendas ocorreu para evitar a aplicação de uma tarifa extracota de 55% imposta pelo mercado asiático, o que gerou uma antecipação e posterior desaceleração nos embarques brasileiros.
Balança comercial por setores e regiões
Em agosto, os resultados das exportações brasileiras dividiram-se em US$ 7,4 bilhões na agropecuária, US$ 8,3 bilhões na indústria extrativa e US$ 17,2 bilhões na indústria de transformação.
No mesmo período, o destino das vendas externas apontou a liderança da Ásia (US$ 13,5 bilhões), seguida por América do Norte (US$ 4,5 bilhões), Europa (US$ 7,3 bilhões) e América do Sul (US$ 3,6 bilhões). As importações nacionais totalizaram montantes significativos em bens intermediários, bens de capital, consumo e combustíveis.
As medidas protecionistas continuam a redesenhar as rotas do comércio exterior brasileiro, exigindo adaptação dos exportadores frente ao cenário internacional adverso.
Por Redação Acontece
Foto: Divulgação / MDIC
