Um documento oficial elaborado por investigadores espanhóis coloca em xeque a postura oficial de Madri ao apontar uma suposta conivência e flexibilidade das forças de segurança marroquinas durante a invasão migratória que atingiu o enclave de Ceuta nos dias 30 e 31 de julho.
O papel das autoridades marroquinas na fronteira
O relatório, assinado por especialistas do Centro Nacional de Imigração e Fronteiras (Cenif), destaca que o efetivo policial do país vizinho estava consideravelmente abaixo do normal justamente no momento em que milhares de pessoas cruzavam a divisa.
De acordo com as apurações internas, os agentes locais adotaram uma postura de total passividade, abstendo-se de conter, dispersar ou afastar a multidão que se acumulava nos arredores do perímetro fronteiriço.
Facilitação e impacto político em Madri
Depoimentos colhidos com estrangeiros que ingressaram no território autônomo, somados a registros em vídeo divulgados por veículos de comunicação e redes sociais, reforçam a tese de que houve uma espécie de facilitação deliberada para a travessia irregular.
Essa revelação traz forte desgaste político para a gestão do premié Pedro Sánchez, que tem evitado culpar Rabat pelo episódio e reiterado publicamente a confiança na parceria com o reino vizinho para o controle das fronteiras.
Contradições e bastidores do poder
Enquanto a cúpula do Ministério do Interior espanhol nega veementemente a existência de qualquer parecer oficial queponha em dúvida a conduta das autoridades marroquinas, o titular da pasta exigiu explicações imediatas da direção-geral da polícia sobre o vazamento.
Especialistas em geopolítica avaliam que o episódio pode ser um recado diplomático relacionado ao sensível conflito do Saara Ocidental, ex-colônia espanhola administrada majoritariamente por Rabat, mas que enfrenta a oposição da Frente Polisário e da Argélia.
A tensão evidencia os complexos acordos geopolíticos que envolvem a gestão de fronteiras na região do Estreito de Gibraltar e a vulnerabilidade dos territórios europeus no norte da África.
Por Redação Acontece
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