Como o planejamento da China transformou o país em líder em energia limpa Descubra como a China lidera o mercado global de energia limpa através de inovação tecnológica, planejamento estatal e forte transição energética. O território de Ordos, localizado na Mongólia Interior, abriga hoje um parque ecológico construído sobre uma antiga mina de carvão desativada. O projeto da CHN Energy ilustra perfeitamente a guinada do gigante asiático rumo à sustentabilidade, recuperando a biodiversidade local e explicando a liderança global do país tanto na geração de energias renováveis quanto na fabricação de equipamentos a preços competitivos.
Evolução das fases energéticas e capacidade instalada
Com um crescimento expressivo na cadeia do carvão, a CHN Energy alcançou em junho uma capacidade total instalada de 400 GW, sendo que as fontes renováveis já representam mais de 41% desse total. A estratégia envolveu a distribuição de parques eólicos e solares por diferentes regiões geográficas para aproximar a geração dos grandes centros de consumo. Segundo especialistas na transição energética chinesa, o país atravessou três grandes etapas desde a década de 1980. O foco inicial esteve na eficiência energética, evoluiu para a segurança de abastecimento nos anos 2000 e, mais recentemente, incorporou de forma definitiva o combate às mudanças climáticas e a descarbonização.
Inovação nas minas e planos quinquenais
A forte aposta nas metas de zerar as emissões líquidas até 2060 impulsiona inovações profundas no setor produtivo. Em operações de mineração, o uso intensivo de robótica, inteligência artificial, 5G e big data permitiu não apenas retirar trabalhadores de zonas de risco, mas também elevar significativamente a produtividade e a eficiência operacional. O grande diferencial do modelo asiático reside na articulação de longo prazo entre o Estado, o mercado e a ciência. Os planos quinquenais coordenam metas governamentais, financiamentos robustos, incentivo à pesquisa e desenvolvimento e forte competição interna, resultando em ecossistemas industriais altamente integrados e na redução drástica de custos.
A supremacia nos minerais críticos e lições estratégicas
Especialistas apontam que a China também domina os elos mais complexos da cadeia de suprimentos voltada para a transição verde. Enquanto nações como o Brasil ainda dependem expressivamente da exportação de commodities e de tecnologia estrangeira, o território chinês concentra fatias massivas não apenas na mineração, mas principalmente no refino de minerais críticos e na fabricação de ímãs permanentes. Diante desse cenário, o principal aprendizado para países em desenvolvimento é tratar o setor elétrico e as fontes sustentáveis como eixos centrais de política industrial e tecnológica. Para acompanhar as demandas futuras de infraestrutura digital e inteligência artificial, torna-se indispensável integrar fontes renováveis a sistemas avançados de armazenamento e transmissão.
Marco histórico na matriz energética
A guinada verde do país asiático atingiu um patamar inédito quando a capacidade instalada de energia solar superou, pela primeira vez na história recente, a de usinas movidas a carvão. No encerramento de julho, a matriz fotovoltaica alcançou 1,286 bilhão de quilowatts, impulsionada por um ritmo acelerado de expansão. Simultaneamente, a participação do carvão mineral na geração de eletricidade caiu abaixo da marca de 50% no primeiro semestre, enquanto as fontes renováveis atingiram 41,2% da geração total. Embora o combustível fóssil ainda desempenhe papel relevante, a contínua expansão solar e eólica consolida uma nova era para a matriz elétrica do maior emissor global de gases poluentes. Por Redação Acontece Greg Baker/AFP
