Explosivos não detonados causam mortes e ferimentos a cada seis horas na Síria

A cada seis horas, uma pessoa é morta ou ferida por artefatos explosivos deixados para trás nos campos e cidades da Síria. A tragédia diária afeta diretamente famílias que tentam reconstruir suas vidas em meio aos escombros deixados por mais de uma década de conflito armado no país do Oriente Médio.

O drama das famílias locais

O perigo invisível foi sentido tragicamente por Malakeh Barbour e seus filhos na zona rural de Damasco. Durante o inverno, as crianças saíram para recolher materiais que pudessem ser queimados para gerar aquecimento dentro de casa.

Sem saber do perigo, os jovens trouxeram um projétil remanescente dos combates, que acabou detonando ao ser colocado próximo ao aquecedor. A explosão tirou a vida de Ahmed, de 17 anos, além de ferir gravemente seus irmãos Haidar e Ghaith. Relatos semelhantes se multiplicam desde a queda do regime de Bashar al-Assad, impulsionados pelo retorno de moradores às suas antigas comunidades.

Estatísticas alarmantes e impacto agrícola

Dados de organizações humanitárias apontam que pelo menos 2.375 pessoas foram mortas ou mutiladas por resquícios de guerra, sendo mais de 850 menores de idade. No entanto, autoridades e ONGs acreditam que os números reais sejam consideravelmente superiores devido à vasta extensão territorial afetada.

O Observatório de Minas Terrestres colocou a Síria no topo do ranking global de vítimas desse tipo de armamento no ano passado. Mais de 60% dos acidentes ocorrem em zonas de pastagem e terras agrícolas, paralisando a produção de alimentos e bloqueando o reerguimento econômico das comunidades locais.

Desafios na desminagem e perspectiva futura

Especialistas da entidade HALO Trust destacam que o trabalho de varredura enfrenta obstáculos severos, como a grande quantidade de entulho metálico, a escassez de maquinário adequado e a ausência de registros cartográficos dos campos minados. Em Jobar, por exemplo, meses de operação resultaram na limpeza de apenas uma fração reduzida do território.

O Ministério da Defesa sírio prioriza rodovias, zonas residenciais e lavouras, mas sofre baixas expressivas com dezenas de militares mortos em missões de desativação. Especialistas calculam que a erradicação completa de todo o material explosivo espalhado pelo território exigirá um esforço contínuo de até três décadas.

Por Redação Acontece

Louai Beshara/AFP

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