Pesquisa recente publicada na prestigiada revista científica The Lancet revelou que o imunizante Qdenga, desenvolvido pela farmacêutica Takeda, foi capaz de diminuir em 88% as hospitalizações decorrentes da dengue entre adolescentes no estado de São Paulo durante as temporadas de 2024 e 2025.
Eficácia comprovada no mundo real
O levantamento avaliou o desempenho da vacina fora dos ambientes controlados de testes clínicos, analisando sua performance prática em meio a surtos epidêmicos recentes. O objetivo central foi mensurar o impacto real do produto na proteção da população e no alívio da rede pública de saúde.
Os dados apontam que a imunização garante resultados expressivos não apenas contra formas graves, mas também mantém sua eficácia prolongada por ao menos um ano. Embora o protocolo completo exija duas aplicações com intervalo trimestral, a proteção começa a ser registrada logo após a primeira injeção.
Metodologia e resultados detalhados
Para chegar a tais conclusões, cientistas de renomadas instituições nacionais e internacionais — incluindo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e secretarias de saúde — examinaram 166.390 exames de diagnóstico aplicados em jovens com idades entre 10 e 15 anos.
Desse total, 65.365 diagnósticos foram confirmados como positivos. Os pesquisadores dividiram os desfechos em casos leves e quadros graves com necessidade de leito hospitalar. Para a dengue sintomática, a proteção atingiu 59,2% após a primeira dose, subindo para 73,1% após a segunda. No que tange às internações, os índices foram ainda mais expressivos: 74,6% de eficácia inicial e impressionantes 87,9% com o esquema vacinal completo.
Outro ponto de destaque foi a versatilidade do imunizante frente a diferentes linhagens do vírus. Mesmo com a transição de predominância entre os sorotipos 1, 2 e o aumento repentino do DENV-3, o produto manteve sua capacidade de resposta protetiva.
Panorama da imunização no Brasil
A introdução do antígeno no país ocorreu no início de 2024, inicialmente restrita a regiões com maior incidência da enfermidade. A partir de 2026, a distribuição foi universalizada para todas as cidades brasileiras, mantendo o público-alvo prioritário na faixa etária de 10 a 14 anos através do Sistema Único de Saúde.
Na rede particular de saúde, o cenário é mais abrangente, permitindo a aplicação em indivíduos dos 4 aos 60 anos de idade. Em todas as esferas, o protocolo permanece inalterado com a recomendação de duas aplicações e intervalo de três meses.
Enquanto a Qdenga segue como a principal alternativa preventiva em circulação, outras iniciativas enfrentam barreiras regulatórias. O imunizante de dose única desenvolvido pelo Instituto Butantan teve sua aplicação suspensa preventivamente pelo Ministério da Saúde após notificações de reações adversas severas, sem previsão oficial para retorno.
Por Redação Acontece
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