ONU diz que países devem reparar danos causados pela escravidão e pelo tráfico transatlântico

Um comitê das Nações Unidas determinou nesta segunda-feira que os governos devem assumir obrigações legais para compensar os prejuízos gerados pela participação direta ou indireta no tráfico transatlântico de africanos escravizados.

O escopo da justiça reparatória

O Comitê para a Eliminação da Discriminação Racial (Cerd) destacou que as nações signatárias precisam aplicar estratégias amplas que unam frentes financeiras, institucionais e sociais para amparar a população afrodescendente.

O alcance do tratado internacional

Formado por 18 especialistas autônomos em direitos humanos, o Cerd monitora a execução da Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, criada em 1969.

Atualmente, o pacto conta com 182 nações signatárias, incluindo potências como Estados Unidos, Reino Unido, França e Portugal, que tiveram papéis centrais no comércio de pessoas escravizadas entre os séculos XVI e XIX.

O peso político da recomendação

Mesmo que a diretriz do comitê não possua força de lei obrigatória, a especialista em direitos humanos Pela Boker-Wilson destacou que o parecer carrega enorme relevância moral e jurídica para o debate internacional.

A discussão ganha tração após a Assembleia Geral da ONU aprovar uma resolução histórica que classifica o comércio negreiro como o pior crime contra a humanidade, impulsionando um movimento global por reparação que ultrapassa as fronteiras norte-americanas.

Por Redação Acontece

Foto: Divulgação/ONU

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