Dezenas de famílias enlutadas que buscavam conforto espiritual acabaram caindo em um esquema de ilusão e manipulação emocional conduzido por uma conhecida figura religiosa. Conhecida na internet por reunir centenas de milhares de seguidores, a líder espiritual utilizava informações públicas disponíveis na internet para forjar mensagens atribuídas a entes queridos falecidos.
Como funcionava o esquema de falsificação
As investigações apontaram que os textos entregues durante as sessões públicas continham trechos copiados integralmente de postagens antigas no Facebook e no Instagram. Em vez de revelações mediúnicas, os frequentadores recebiam recados montados com detalhes minuciosos da vida digital dos mortos, como cores de roupas, fotos antigas e comentários cotidianos.
Além do reaproveitamento de dados abertos, os relatos apontam erros grosseiros nas mensagens. Em diversos casos, a suposta entidade citava netos inexistentes, esquecia membros da família ou mencionava pessoas que sequer haviam falecido. Familiares revoltados relataram que até mesmo buscas em registros públicos de empresas eram realizadas para dar veracidade aos textos.
Intimidação e assédio judicial contra críticos
O rigor com que a líder do centro espírita tratava qualquer contestação gerava um ambiente de forte pressão psicológica. Quem ousasse questionar a autenticidade dos bilhetes ou levantar suspeitas sobre os métodos utilizados tornava-se alvo imediato de retaliações.
A estratégia de defesa incluía uma enxurrada de ações nas esferas cível e criminal, além de boletins de ocorrência por suposta intolerância religiosa contra os críticos. O objetivo era silenciar as vítimas por meio de desgaste financeiro e judicial.
Posicionamento da Federação Espírita Brasileira
Diante da gravidade das denúncias, a Federação Espírita Brasileira (FEB) emitiu alertas sobre a proliferação de golpes envolvendo falsos médiuns na internet. A instituição reforça que o espiritismo sério condena qualquer cobrança ou exigência de contrapartida financeira e prega que a dúvida e o questionamento são pilares fundamentais da doutrina.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as denúncias de charlatanismo e estelionato, enquanto especialistas em saúde mental alertam para os graves traumas psicológicos enfrentados pelas vítimas após descobrirem a exploração de sua vulnerabilidade emocional.
Por Redação Acontece
Foto: Kebec Nogueira/Metrópoles
