Dois anos e quatro meses de pedaladas contínuas transformaram a rotina de Bruna Pionoski Cardoso e Jonas de Paula e Silva, ambos de 35 anos. O casal originário de São Mateus do Sul, no Paraná, percorreu cerca de 27 mil quilômetros e atravessou 18 países até alcançar o Alasca, concretizando uma travessia completa do continente americano sobre duas rodas.
O início da jornada e a guinada na pandemia
Antes de abandonarem suas antigas rotinas, Bruna atuava no segmento de marketing digital e Jonas trabalhava como servidor público na Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar). O isolamento imposto pela pandemia da Covid-19 provocou uma profunda reflexão sobre prioridades, levando-os a antecipar o plano de viajar pelo mundo que costumavam adiar para a aposentadoria.
Para viabilizar o projeto, foram necessários dois anos de rigorosa preparação financeira, além da venda de bens materiais, incluindo o carro, móveis e eletrodomésticos. Com a economia garantida e empregos encerrados, eles deixaram o solo paranaense em maio de 2024 rumo ao extremo sul do planeta.
De Ushuaia ao Alasca de bicicleta
A primeira grande meta foi atingida em janeiro de 2025, quando chegaram a Ushuaia, na Argentina, conhecida como a cidade continental mais austral da Terra. A partir desse ponto, inverteram a direção e começaram a subir o continente, cruzando toda a América do Sul, América Central e parte da América do Norte até alcançarem a fronteira do Alasca em agosto de 2026.
Optar pela bicicleta como meio de transporte principal não ocorreu por acaso. Além do gosto pelo esporte e pelo montanhismo, a dupla destacou que o veículo funciona como um verdadeiro passaporte para a aproximação com as comunidades locais.
A vida sobre rodas e o fator humano
A rotina na estrada exigia minimalismo extremo. Na bagagem das bicicletas, o casal transportava apenas itens essenciais, como barraca, sacos de dormir, isolantes térmicos, utensílios compactos de cozinha e poucas mudas de roupa. A maior parte das noites era passada em acampamentos improvisados em áreas isoladas, complementada por eventuais paradas em hospedagens tradicionais.
Apesar dos desafios físicos — como uma antiga lesão no ombro de Jonas —, ambos ressaltam que o maior tesouro da expedição foi a generosidade das pessoas encontradas ao longo dos 18 países visitados.
O retorno e os planos para o futuro
Com o término oficial da pedalada no Alasca, o planejamento de retorno envolve voos até os Estados Unidos e, na sequência, para São Paulo, onde pretendem participar de um encontro de ciclovajantes. A última etapa até o Paraná, contudo, será feita novamente pedalando.
Após um período de descanso de dois meses em sua cidade natal e a transição para novas carreiras profissionais, o casal já mira horizontes ainda mais ambiciosos. A meta a longo prazo é ambiciosa: conhecer todos os continentes do planeta, mantendo a bicicleta como sua principal companheira de estrada.
Por Redação Acontece
Arquivo pessoal / Divulgação
