'É um processo longo', diz médico sobre tratamento de lutador de jiu-jitsu que ficou sem movimento das pernas após golpe em competição no Paraná

O tratamento do lutador Willian “Kabuto” Hiroyuki Masuda, que perdeu os movimentos das pernas após sofrer uma grave lesão cervical em uma competição no Paraná, será um processo longo, segundo a equipe médica responsável pelo caso.

Gravidade da lesão e cirurgia

O atleta faixa-preta está internado no Hospital Evangélico, em Londrina, desde o último sábado, dia em que se machucou durante um combate contra Juliano Di Pelli Machado.

De acordo com o neurocirurgião Marcus Valério Costa, o lutador chegou à unidade hospitalar com uma fratura-luxação na coluna cervical. O quadro provocou forte compressão na medula e perda total dos movimentos do pescoço para baixo, exigindo uma intervenção cirúrgica de urgência para descomprimir o canal medular.

Willian fraturou as vértebras C5 e C6 em uma cirurgia que durou cerca de 10 horas. Atualmente, ele encontra-se acordado, consciente, com quadro estável e se alimentando, embora os médicos reforcem que ainda não há um diagnóstico definitivo devido à complexidade do trauma.

Investigação policial e diferença de peso

O episódio passou a ser investigado pela Polícia Civil após o Ministério Público apresentar uma notícia-crime para apurar o caso como lesão corporal gravíssima.

O documento aponta que havia uma diferença de aproximadamente 40 quilos entre os dois competidores. Segundo a acusação, o adversário teria projetado todo o seu peso corporal de uma só vez sobre a vítima durante uma posição de submissão.

Posicionamento da defesa e da organização

A defesa de Juliano Di Pelli Machado declarou que o atleta está profundamente abalado com a situação e que colaborará integralmente com as autoridades. Os advogados ressaltaram que o lutador possui uma trajetória limpa no esporte e que o caso deve ser analisado com base nas regras técnicas e registros audiovisuais do evento.

Enquanto isso, a organização do Super Pro Jiu-Jitsu informou que prestou socorro imediato com equipe médica no local e que acompanha o caso junto à família. A Confederação Brasileira de Jiu Jitsu não retornou aos contatos, e a Federação de Jiu Jistu do Paraná afirmou não ter conhecimento prévio sobre a realização daquele campeonato.