Alunos da rede estadual transformam resíduos de abacaxi, cana e ovos em tijolos ecológicos

Estudantes da rede estadual de ensino no Paraná transformaram restos alimentares e agroindustriais em uma alternativa inovadora e sustentável para a construção civil. Três jovens de 16 anos matriculados no Colégio Estadual Cívico-Militar do Patrimônio Regina, situado em Londrina, criaram protótipos de tijolos ecológicos utilizando cascas de ovos, bagaço de cana-de-açúcar e fibras de abacaxi.

Inovação sustentável na educação paranaense

O projeto inovador foi conduzido por Fernando César Terciotti, Nathanael Martins Godoi e Vinicius Rocha Neves sob a supervisão da professora Natalia Vicentim Bom. O desenvolvimento ocorreu na Sala de Recursos de Altas Habilidades da instituição londrinense, contando com quatro horas semanais dedicadas à pesquisa científica. A iniciativa também teve suporte técnico de especialistas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

A proposta principal consistiu em testar se a mistura desses descartes orgânicos gera um produto com alta resistência mecânica e baixa capacidade de absorção de h2o. Durante a fase de testes, os adolescentes analisaram diferentes formulações da massa, monitorando a coesão estrutural e a presença de fissuras no material moldado.

O incentivo governamental à pesquisa prática

Comentando sobre o engajamento dos alunos, o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, os resultados da pesquisa demonstram a importância de aproximar o aprendizado de situações práticas. “Iniciativas como essa estimulam a pesquisa, a criatividade e a busca por soluções sustentáveis, permitindo que os estudantes apliquem os conhecimentos adquiridos em sala de aula”, afirmou.

O processo de fabricação exigiu etapas rigorosas de preparação dos insumos, incluindo secagem ao sol, lavagem, moagem de fibras vegetais e trituração de cascas de ovos. Em seguida, os elementos foram combinados com água e aglomerantes, preenchendo fôrmas específicas. O tempo estimado de cura para cada peça é de cerca de 15 dias sob baixa umidade.

Evolução e novos testes com materiais ecológicos

Nathanael Godoi disse que os alunos foram responsáveis por diferentes etapas da pesquisa. “Participamos desde a coleta e preparação dos materiais até a produção dos tijolos. Nos primeiros testes, percebemos que eles não tinham a resistência esperada. A partir disso, discutimos novas combinações de materiais para melhorar os resultados”, relata o estudante.

Segundo a orientadora, professora Natalia Vicentim Bom, a capacidade de identificar problemas e propor soluções foi um dos principais resultados pedagógicos da pesquisa. “Eles realizaram pesquisas bibliográficas, discutiram alternativas e buscaram soluções para os problemas identificados nos experimentos. O que mais chamou minha atenção foi a capacidade dos estudantes de relacionar os conhecimentos de diferentes disciplinas e encontrar caminhos para aperfeiçoar o projeto”.

Para o futuro, a equipe pretende explorar ligas naturais como amido de mandioca, amido de batata e mucilagem de linhaça. O objetivo é elevar a rigidez do artefato sem comprometer a impermeabilidade, preparando o terreno para futuros ensaios técnicos de durabilidade.

Por Redação Acontece

Reprodução / SEC.ED PR

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