O Paraguai enfrentou um desfecho político histórico nesta sexta-feira (06). O Senado paraguaio, atuando como tribunal, julgou e afastou o presidente da República, Santiago Peña, aplicando uma condenação unânime com 44 votos favoráveis após forte pressão institucional decorrente do colapso do ueno bank.
A crise institucional e os protestos
A queda do governante ocorreu em meio a dias de profunda tensão em Assunção, com protestos populares no centro histórico e manifestantes exigindo punição. A revolta popular cresceu com os prejuízos sofridos por milhares de poupadores afetados pela crise financeira na instituição bancária.
Os argumentos da acusação no Senado
Durante o julgamento, os parlamentares que atuaram como fiscais detalharam o uso de recursos públicos, incluindo repasses do Instituto de Previsão Social (IPS) e de Itaipu, para manter a liquidez do banco em crise, apontando grave conflito de interesses na gestão de Peña.
Antes da decisão, o ex-presidente publicou uma mensagem informando que havia apresentado sua renúncia formal para “evitar mais danos ao país” e devolver a tranquilidade à população. Apesar da tentativa, o plenário do Senado seguiu irredutível com o julgamento político até a condenação e destituição em definitivo.
A defesa e os argumentos jurídicos
Os advogados Ricardo Preda e Adolfo Ferreiro tentaram invalidar o processo, apontando falhas e falta de provas materiais de decretos presidenciais em favor do banco. A defesa sustentou que as decisões operacionais eram de competência do Banco Central do Paraguai (BCP) e que o julgamento tratava-se de um “discurso político”.
Com a destituição aprovada, o vice-presidente Pedro Alliana assume em definitivo o comando do Poder Executivo para cumprir o restante do mandato e buscar a estabilidade institucional do país.
Por Redação Acontece Foto: Divulgação/Presidência do Paraguai
