Santiago Peña renuncia à presidência do Paraguai encurralado pelo escândalo do ueno bank

O cenário político no Paraguai sofreu uma mudança drástica nesta quinta-feira (05), com a renúncia repentina de Santiago Peña da presidência da República. A decisão foi tomada no momento em que a Câmara dos Deputados se preparava para votar um pedido de impeachment, motivado pelo colapso institucional e financeiro ligado ao caso do ueno bank, que abalou a confiança no governo.

Pressão política e crise no ueno bank

Peña, que ocupava o Palácio de López desde agosto de 2023, viu seu mandato ser encurtado por denúncias que conectam seu grupo político e empresarial à instituição bancária, atualmente sob intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP). Em uma tentativa de apaziguar o clima de tensão social, o ex-presidente utilizou as redes sociais para comunicar sua saída. “Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do povo paraguaio”, afirmou o ex-mandatário em mensagem divulgada na rede social X.

Medidas de emergência e tentativa de contenção

Antes de oficializar o afastamento, o governo tentou adotar medidas drásticas para evitar o agravamento da crise de liquidez. Entre as ações, destacam-se a substituição do comando do BCP, com a saída de Carlos Carvallo e a nomeação de Raúl Vera Bogado, além da promulgação de uma lei emergencial para acionar o Fundo de Garantia de Depósitos. O cancelamento de uma viagem oficial à Espanha também foi uma das tentativas de Peña em retomar o controle da situação, que acabou sendo superada pelas manifestações em Assunção.

Impactos no sistema financeiro

O fechamento do ueno bank, instituição da qual Peña já foi acionista, gerou desdobramentos judiciais severos. A Justiça paraguaia imputou 27 executivos por crimes de gestão fraudulenta, lesão de confiança, estafa e falsificação de documentos. Entre os acusados estão o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o vice-presidente Miguel Vázquez, além de outros membros da diretoria e conselho administrativo que atuaram no período entre 2025 e 2026.

Transição de poder

Conforme estabelece o artigo 234 da Constituição Nacional do Paraguai, a sucessão presidencial ocorre de forma automática. O vice-presidente Pedro Alliana assume a chefia do Poder Executivo para concluir o restante do período constitucional. O Congresso Nacional deve realizar uma sessão extraordinária para formalizar a aceitação da renúncia e dar posse ao novo mandatário, encerrando o ciclo de Peña no poder.

Por Redação Acontece

Imagem: Reprodução/Rede Social X

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