Alunos de universidade do Paraná denunciam ataques a bolsistas e mensagens de cunho nazista em conversas online após eleições

Estudantes de medicina de uma instituição de ensino particular localizada em Maringá, na região Norte do estado, acionaram o Ministério Público Federal (MPF) para denunciar a circulação de conteúdos com apologia ao nazismo e ataques direcionados a bolsistas. As mensagens vieram à tona logo após a divulgação dos resultados das eleições presidenciais.

Ataques virtuais e discriminação

O material ofensivo foi disparado por acadêmicos em um grupo de conversas online da turma. Nas postagens, os participantes criticaram duramente os colegas que ingressaram na instituição por meio de iniciativas governamentais de inclusão, a exemplo do Programa Universidade para Todos (ProUni).

Em uma das publicações, um estudante sugere superioridade em relação aos bolsistas ao comparar quem paga a mensalidade com quem conquistou a vaga por seleção acadêmica de programas sociais. “Quem paga trabalhou e tem 15 mil [reais] por mês para pagar >>>>>>> Quem passou numa provinha”, escreveu um outro estudante. Além do teor elitista, simbologias e expressões ligadas ao nazismo também foram compartilhadas no espaço virtual.

Posicionamentos e investigações

Em contrapartida, outra aluna criticou as ofensas e ressaltou que todos terão a mesma formação, independentemente da forma de ingresso. “Virou bonito ofender quem não tem dinheiro para pagar toda a mensalidade como vocês? Todo mundo aqui vai sair com CRM [registro profissional de medicina]”, disse. O impacto das mensagens gerou um ambiente tenso na instituição. Um estudante relatou que o clima hostil fez com que os envolvidos nas ofensas e os alvos se afastassem das aulas temporariamente, afirmando que “É um clima hostil na faculdade, um clima hostil nos grupos, que vai muito além de divergências políticas. Parece que o contexto da eleição foi apenas um pretexto para eles extravasarem o ódio às pessoas mais pobres”.

A direção da UniCesumar esclareceu que o espaço de conversas não representa um canal oficial da instituição de ensino. A administração acadêmica instaurou uma sindicância interna para investigar a conduta dos envolvidos. Em nota oficial, a instituição declarou: “A UniCesumar reafirma seu compromisso com a ética, com a responsabilidade, e com o respeito à vida e aos valores que orientam a formação de seus estudantes, e repudia veementemente qualquer forma de discriminação ou preconceito. A universidade esclarece que abriu sindicância para apuração do caso, e adotará todas as providências cabíveis, em conformidade com seus regulamentos internos e princípios éticos. Cumpre ainda informar que o grupo de WhatsApp, no qual circularam mensagens discriminatórias não tem qualquer vínculo com a Instituição, não se tratando de canal oficial desta. E, considerando que o acesso ao grupo ocorre mediante o convite dos próprios participantes e, não é restrito à comunidade acadêmica, a universidade consegue identificar apenas os integrantes que fazem parte de seu corpo discente, cujos dados não serão compartilhados por questões legais e éticas relativas à confidencialidade. A UniCesumar ressalta que o Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina (NAEME) permanece à disposição dos alunos para oferecer acolhimento, orientação e suporte”.

Por sua vez, o Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) destacou que o comportamento dos envolvidos infringe as normas éticas da categoria. O órgão afirmou: “Tais alusões ferem diretamente os princípios fundamentais do Código de Ética do Estudante de Medicina, segundo os quais o estudante deve estar a serviço da saúde do ser humano e da coletividade, exercendo suas atividades sem discriminação de qualquer natureza. A escolha pela Medicina exige compromissos humanísticos e humanitários, pautados pela promoção do bem-estar físico, mental e social dos indivíduos e da coletividade. Atitudes discriminatórias são incompatíveis com esses valores e não devem ser toleradas no ambiente de formação médica. O CRM-PR adotará todas as providências cabíveis no âmbito de suas atribuições institucionais e acompanhará o desdobramento do caso, contribuindo para que haja uma apuração rigorosa e transparente dos fatos pelas instâncias competentes”. O caso segue sob análise do Ministério Público Federal.

Por Redação Acontece

Foto: Unsplash / Divulgação

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