Localizada na área urbana de Cascavel, no Oeste do Paraná, a Horta Comunitária do bairro Neva se consolidou como um polo de produção de alimentos, convivência e impacto social positivo. O terreno de 8 mil metros quadrados, cedido pela Prefeitura, é administrado por uma associação de moradores e atualmente conta com o trabalho de três famílias na colheita de hortaliças, temperos e plantas medicinais.
História e superação no bairro Neva
O projeto começou a tomar forma graças à iniciativa de Antônio Marcos Gomes Nogueira, que quis transformar uma área abandonada. “Quando eu ainda era criança tinha uma horta aqui que pertencia à Pastoral da Criança. Depois, quem cuidava saiu, e a horta acabou. Ficou cerca de oito anos abandonada, virou mato, um problema para o bairro, pois terrenos baldios atraem lixo, insetos e trazem insegurança”, relembra.
Para erguer a estrutura atual, o fundador utilizou o cultivo inicial de milho e mandioca para levantar recursos financeiros. Com quase uma década de atividades, o local opera no formato de cooperativa. “Aqui é uma horta comunitária, mas no sentido de ter um preço popular, sem visar lucro. A renda serve para manter as famílias que trabalham. A gente não vende para grandes comércios, o foco é atender a comunidade”, elucida Antônio.
Rotina de dedicação e preços populares
O trabalho exigido no campo é intenso e diário. “É preciso estar presente todos os dias, inclusive feriados e finais de semana. […] Nos dias muito frios ou de chuva, também é necessário vir cuidar e colher. As dificuldades são grandes, principalmente no inverno, que exige mais atenção e cuidado”, reforça o idealizador.
Atualmente, a coordenação do cultivo é realizada por José Mandrick, aposentado, que divide as tarefas com outras famílias, como a de Carla Cordeiro da Rosa. “Eu vim uma vez conhecer, porque não sou daqui, sou de Dois Vizinhos. Gostei muito e logo surgiu a oportunidade de vir trabalhar. O seu José estava sozinho e chamou eu e meu esposo para ajudar”, explica Carla.
Na rotina da horta, ela se encarrega do atendimento aos clientes. “Cuido mais da parte de atendimento, colho o que é preciso, e, quando dá tempo, ajudo lá embaixo na horta, carpindo, adubando. O seu José colhe de manhã e, depois, eu preparo os maços de cebolinha e tempero verde”, detalha.
Para garantir o acesso da população local aos produtos, a tabela de valores é acessível. Cada pé de verdura custa R$ 4, enquanto o pacote com três unidades sai por R$ 10. Entre as opções mais procuradas está a alface, que possui um ciclo rápido de 30 dias. “A alface é o que mais sai, porque o pessoal gosta bastante. E a gente não usa defensivos, o que deixa o produto mais natural”, diz Antônio.
A dedicação dos voluntários e trabalhadores também atrai fregueses fieis, como a profissional Cleonice Moraes. “Conheci a horta há um tempo, mas comecei a comprar com frequência recentemente. Gosto muito de vir aqui porque os produtos são frescos e naturais, e sei de onde vêm. A proximidade do meu trabalho ajuda, pois saio na hora do almoço e já passo para pegar verduras para a semana”, conta.
Mais do que suprir a demanda por vegetais frescos e sem agrotóxicos, o espaço atua como uma rede de apoio e solidariedade, destinando parte dos excedentes a pessoas em vulnerabilidade social. Como resume Antônio: “A gente vive para o outro, então servir é uma alegria”.
Por Redação Acontece
Maria Heloísa Nunes/Divulgação
