A realidade econômica na fronteira
Puerto Iguazú, cidade argentina vizinha ao Brasil, reflete o impacto da crise econômica que atinge o país vizinho. A taxa de desemprego nacional subiu 0,3 ponto percentual no primeiro semestre de 2026, atingindo 7,9% da população economicamente ativa, conforme dados do INDEC.
Para o ajudante de pedreiro Facundo Ramon Álvarez, de 32 anos, a permanência no país ocorre apenas para ficar próximo aos pais. Trabalhador e cheio de planos, ele relata as dificuldades financeiras enfrentadas atualmente.
“Eu tenho um sonho, eu quero fazer muitas coisas, mas não posso realizar esse sonho aqui.”
O jovem planeja se mudar para Caxias do Sul (RS), onde sua irmã e um primo já residem e conseguem rendimentos melhores.
“Para mim é um sonho. Lá, a maioria é tudo argentino. Aqui, o que te paga não te alcança. Aqui, não posso comprar uma moto, carro e nem roupa. Não posso imaginar quem tem filhos aqui”, afirma.
O avanço do trabalho autônomo
O impacto no comércio e serviços
O cenário de escassez de vagas formais força muitos trabalhadores a buscarem alternativas na informalidade. O vendedor ambulante Júlio Cesár Santacruz, de 50 anos, aponta que o mercado atual oferece vagas apenas para prestadores de serviços autônomos, como pintores, eletricistas e jardineiros, mas sem suporte de qualificação profissional.
“Gostaria de ganhar um pouco mais, porém tem que ter alguém que me dê oportunidade.”
Diante das dificuldades, muitos argentinos buscam o Brasil não apenas para compras em supermercados com preços mais acessíveis, mas também para atuar em empregos temporários na agricultura e no setor de turismo e comércio.
Análise acadêmica da crise
Especialistas apontam que os dados oficiais podem não refletir a totalidade da crise no mercado de trabalho. O professor Félix Pablo Friggeri, da Unila, avalia que o desemprego real pode alcançar patamares mais elevados.
“Em vez de buscar empregos, as pessoas buscam construir um empreendimento para sobreviver. É o empreendedorismo de sobrevivência.”
Por sua vez, a professora Paula Daniela Fernandez destaca que a abertura econômica do governo atual resultou no fechamento de empresas e na substituição do emprego formal por atividades informais e bicos em aplicativos, alinhando-se a um cenário de forte impacto social.
“O desemprego não tem chegado a dois dígitos porque boa parte do emprego formal virou emprego informal.”
Por Redação Acontece
Foto: Marcos Labanca
