Secretaria de Educação do Paraná pede afastamento de direção de colégio cívico-militar que instalou câmera em banheiro feminino

A Secretaria de Educação do Paraná solicitou o afastamento da gestão do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, localizado em Cambé, na região Norte do estado. A decisão foi tomada após a descoberta de uma câmera instalada dentro do banheiro feminino da instituição de ensino.

Proibição formal e vistoria oficial

O secretário Roni Miranda assinou uma resolução que veda rigorosamente a presença de equipamentos de captação de imagem em sanitários ou vestiários de toda a rede estadual de ensino.

“É uma questão óbvia de não colocar câmera dentro do banheiro, já temos leis federais sobre isso, mas também publiquei uma resolução. A partir disso, está proibida, em qualquer ambiente escolar, que tenha banheiros ou vestiários, a colocação de câmeras”, disse Roni Miranda.

Durante a última quarta-feira (21), representantes da Polícia Civil e da pasta estadual realizaram uma inspeção no colégio. O aparelho foi recolhido pelas autoridades após ser guardado por uma estudante. O caso veio à tona na segunda-feira anterior, quando alunas perceberam o dispositivo e relataram que ele estaria no local há aproximadamente três anos, enquanto a direção alegava se tratar apenas de um sensor de fumaça.

Investigação e depoimentos

Um inquérito policial foi aberto para esclarecer todos os detalhes do caso. Alunos fotografaram o painel do sistema e afirmaram que as imagens abrangiam as cabines e os espelhos.

“Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro. Para a gente, é assustador porque eram homens que viam as câmeras, estavam na sala dos militares”, disse Alessa Gabriele.

A instituição de ensino argumentou que o sistema de monitoramento estava voltado apenas para os acessos externos dos banheiros, com o intuito de reforçar a segurança e acompanhar a circulação. Uma comissão interna foi criada pela Secretaria de Educação para apurar as responsabilidades administrativas, civis e penais decorrentes do episódio.

Por Redação Acontece

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